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Técnico de enfermagem é condenado após estuprar paciente dentro de clínica psiquiátrica

Mesmo após boletim de ocorrência, suspeito continuou trabalhando na clínica

Guilherme
Guilherme Becker / Editor

5 de dezembro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 15:10

Um técnico de enfermagem de uma clínica psiquiátrica de Curitiba foi condenado a 8 anos de prisão por estupro. O crime foi cometido contra uma paciente no dia 24 de junho de 2018. Após revelar os abusos ao marido, a vítima realizou boletim de ocorrência, foi aberto processo de sindicância interno no hospital e a mulher foi transferida. Mais de um ano após, a vítima ainda sofre com o medo e agora pede ação contra a clínica.

De acordo com a vítima, houve negligência por parte da direção do hospital. Mesmo após a denúncia, e enquanto ela permanecia ainda na clínica, os responsáveis mantiveram o suspeito trabalhando normalmente, com acesso a ela, somente mudando o homem de setor.

Estupro em clínica psiquiátrica

“Ele falava cala a boca, cala a boca, colocou a mão várias vezes na minha boca, eu tava presa naquele lugar, não tinha ninguém. Eu falava pra ele parar, parar, parar, tava me machucando muito e ele falou ‘eu não vou parar, pode falar o que você quiser que eu não vou parar’, este é o relato de desespero de uma paciente de uma clínica psiquiátrica, que buscava ajuda por conta de transtornos psiquiátricos.

A mulher, que já havia tentado suicídio, foi internada na clínica em busca da recuperação. Entretanto, nem ela e nem a família esperavam que um técnico de enfermagem do local poderia cometer um ato criminoso. Wellington Maicon Ferreira foi condenado a 8 anos de prisão por estupro.

Segundo depoimentos da vítima, o homem a levou para um banheiro de funcionários e cometeu o abuso. “Foi entre 10 e 15 minutos, mas pra mim foi uma eternidade”, conta a mulher.

“Começou a tirar minha camisa a força, me segurar, tirou minha calça, virou por trás. Eu falava pra ele parar, pelo amor de Deus porque ele estava fazendo aquilo comigo, se eu não tinha feito nada pra ele. Daí, ele falou assim ‘cala tua boca agora, fica bem quieta, dei eu falei ‘não, eu quero sair daqui’. Mas não tinha ninguém”, descreve a vítima.

Abalada com a situação, a vítima relatou o fato ao marido. Logo que soube, o companheiro buscou uma delegacia, realizou boletim de ocorrência e agendou exame de corpo de delito. Com as denúncias foi aberto um processo de sindicância interno no hospital, porém, o suspeito continuou trabalhando.

Comprovação do estupro

Após o registro da ocorrência, a mulher ainda permaneceu por alguns dias fazendo tratamento na clínica. Neste período, o suspeito do crime poderia ter acesso a vítima, pois ambos tinham acesso a áreas comuns. O contato só diminuiu quando a paciente mudou de clínica.

Com dificuldades para comprovar o estupro, a vítima entregou ao marido a blusa e a calça que estava usando no dia do crime e que o suspeito teria deixado marcas de sêmen. “Ele ejaculou na minha roupa. Eu procurei e estava com mancha branca, a camisa e uma calça. Eu escondi até receber visita e dei para meu marido porque eles (funcionários da clínica) queriam tomar isso também. E se eles soubessem que eu tava com aquela roupa, eles iriam tomar. Para eles todo mundo é doido” , afirmou a mulher.

Em exame realizado pela Polícia Científica o resultado apontou que a probabilidade do sêmen encontrado na roupa ser de Wellington era de 99%. Com a perícia, a Justiça determinou a prisão do técnico de enfermagem.

Me trataram como um lixo, não acreditaram em mim”, agora a revolta da vítima continua contra a clínica. A família buscou advogados para requerer uma indenização da clínica que não tomou as atitudes cabíveis em caso de crime cometido por um funcionário.

Confira a reportagem completa: