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Especialista diz que Índia reagiu tarde e deixou variante mortal do coronavírus se disseminar

Reuters
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Especialista diz que Índia reagiu tarde e deixou variante mortal do coronavírus se disseminar
Médico trata pacientes com Covid-19 em hospital de Nova Délhi

15 de junho de 2021 - 10:17 - Atualizado em 15 de junho de 2021 - 10:21

Por Devjyot Ghoshal e Zeba Siddiqui

NOVA DÉLHI (Reuters) – Um especialista de saúde pública veterano alertou autoridades graduadas da Índia no início de março de que uma nova variante do coronavírus estava se disseminando rapidamente em um distrito rural no centro do país e que o surto exigia atenção urgente.

As autoridades de saúde federais não reagiram adequadamente àquele alerta, disse o doutor Subhash Salunke, que tem 30 anos de experiência na saúde pública da Índia, Indonésia e Estados Unidos, à Reuters.

A variante, agora conhecida como B.1.617, desencadeou uma onda catastrófica de casos de coronavírus na Índia, e desde então se espalhou em mais de 40 outros países. Em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificou como uma “variante preocupante”, citando sua alta transmissibilidade.

O primeiro impacto da variante foi detectado meses antes no distrito de Amravati, no Estado de Maharashtra do oeste indiano, onde autoridades de saúde registraram um aumento rápido de infecções de coronavírus no início de fevereiro, apesar de os casos estarem caindo no restante do país.

Salunke, uma ex-autoridade da OMS que aconselha o governo de Maharashtra, disse que alertou algumas das autoridades de saúde mais graduadas da Índia no início de março, conversando por telefone com V.K. Paul, o principal conselheiro de coronavírus do primeiro-ministro, Narendra Modi, e com o chefe do Centro Nacional de Controle e Prevenção de Doenças (NCDC), Sujeet Kumar Singh.

Salunke disse à Reuters que alertou tanto Paul quanto Singh que o vírus estava exibindo sinais de mutação em Amravati e que sua transmissibilidade estava aumentando, e que pediu ajuda federal para sequenciar mais amostras para estabelecer como a variante estava se comportando. A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente o que foi dito nestas conversas.

“Apesar de uma pessoa da saúde pública, como eu, lhes dar um aviso sensato, elas não deram atenção”, disse Salunke à Reuters.

Em reação às perguntas da Reuters, Paul disse que conversou com Salunke, mas que Salunke transmitiu informações, ao invés de dar um alerta.

Ele rejeitou a acusação de Salunke de não ter dado atenção, dizendo que pediu que o Instituto Nacional de Virologia da Índia (NIV) estude a variante mais atentamente e que orientou o governo de Maharashtra a intensificar sua reação em andamento ao vírus.

A Reuters não conseguiu determinar se o estudo do NIV foi realizado. O NIV direcionou os questionamentos feitos pela Reuters ao Conselho Indiano de Pesquisas Médicas, que por sua vez não respondeu.

“O governo fortalecer o sequenciamento e os estudos clínicos-epidemiológicos”, disse Paul à Reuters. “O governo intensivamente, repetidamente, de múltiplas formas, enfatizou a necessidade de contenção usando todas as ferramentas de forma mais vigorosa, e otimizando a testagem.”

Singh e o Ministério da Saúde da Índia não responderam os questionamentos da Reuters sobre os alertas feitos por Salunke.

(Reportagem adicional de Alistair Smout em Londres e Chen Lin em Cingapura)

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