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Empregados da TV Escola protestam contra demissões confirmadas por direção

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

27 de dezembro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 27 de dezembro de 2019 - 00:00

Cerca de 70 pessoas participaram na manhã desta sexta-feira de ato contra demissões anunciadas pela diretoria da TV Escola, principal produto da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) e que não teve o seu contrato renovado pelo Ministério da Educação (MEC) no final deste ano. De acordo com sindicalistas que apoiam os 357 trabalhadores da Acerp, as demissões ainda não foram divulgadas, mas são esperadas para hoje e podem atingir 100 pessoas.

Na porta da sede da Roquette Pinto, na zona sul do Rio, a diretora do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, Rosa Leal, se dizia indignada com as demissões confirmadas na véspera pelo presidente da Acerp, Francisco Câmpera, que ontem fez a primeira reunião sobre o assunto, mas se recusou a receber um grupo de representantes dos empregados e se reuniu com sindicalistas.

Além da TV Escola, a Acerp é responsável pela TV Ines, em libras, que teve o contrato renovado, e pela Cinemateca Brasileira, em São Paulo, ainda sem destino definido.

“Estamos vendo com muita preocupação desde que houve o anúncio de que a TV Escola seria fechada, é um veículo de educação pública de qualidade, laico, inclusivo”, aponta Rosa.

O MEC anunciou em meados de dezembro que não renovaria o contrato com a Acerp, e na semana passada despejou os 20 funcionários que trabalhavam na TV Escola nas dependências do ministério, em Brasília.

“No dia 12 de dezembro o MEC anunciou que não renovaria com a TV Escola, embora tivesse em novembro afirmado que ia renovar e teria recursos da ordem de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões em 2020”, afirma Rosa, que participou da reunião com Câmpera. “Ele disse que ia cortar gordura e que ia garantir os empregos que fossem possíveis, mas que em Brasília seriam demitidas 20 das 24 pessoas que ficam lá”, completou.

Os funcionários que ficarem na empresa serão transferidos para a TV Ines, segundo ela. Já sobre a Cinemateca, segundo a sindicalista, nada foi alterado até o momento.

“Não tem nada que justifique isso, é pura retaliação. Vem de um governo que é contra a cultura, o povo, o jornalismo. É muita coincidência que isso tenha sido resolvido depois da série do Olavo de Carvalho”, diz, em referência a uma série exibida pela TV Escola.

Segundo o presidente do Sindicato dos Radialistas do Rio, Leonel Quirino, a Acerp é uma Organização Social (OS) privada e poderia fazer contrato com outras empresas com a marca TV Escola, como acenou Câmpera, mas perderia a função pública do veículo de atualizar professores e ajudar estudantes de baixa renda em eventos como Enem.

“É um escárnio o ministro (Weintraub) dizer que aqui é um antro de esquerdista. Nunca teve viés ideológico para ser contratado aqui, passaram vários governos e ninguém mexeu com a TV Escola, mas se ele acha que defender a educação é questão de esquerda, sinto muito”, afirmou. “É pela TV Escola que chegam informações para os professores, e alunos de baixa renda têm reforço gratuito; é uma TV aberta que chega nos rincões do Brasil”, completou.

Em nota, o Ministério da Educação se limitou a informar que o contrato de gestão com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), responsável por gerir a TV Escola, se encerra no fim deste ano e não será renovado.

“O MEC estuda a possibilidade de as atividades do canal serem exercidas por outra instituição da administração pública”, acrescentou, sem dar detalhes.

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