Empreendedorismo

Empresários criam solução para problema feminino que nem existe e são criticados

A startup alemã foi criticada por estigmatizar a menstruação feminina

Aline
Aline Taveira / Produtora com informações da Smart Company
Empresários criam solução para problema feminino que nem existe e são criticados
Os empresários alemães se retificaram nas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram)

26 de abril de 2021 - 12:14 - Atualizado em 26 de abril de 2021 - 12:15

Os empresários alemães Andre Ritterswuerden e Eugen Raimkulow foram duramente criticados após apresentarem em um programa de televisão voltado ao empreendedorismo o produto desenvolvido por sua startup. A Pink Glove, uma luva plástica destinada à troca de absorventes usados no período menstrual, visa um descarte mais discreto dos absorventes. 

Mesmo chamando a atenção dos investidores do programa e convencendo um deles, Ralf Dümmel, a investir cerca de 30 mil euros no projeto, a startup não foi bem vista pelo público. De acordo com o Smart Company, as mulheres alemãs levaram o caso às redes sociais, questionando a utilidade do produto e o porquê de o descarte ter que ser discreto.  

“Este produto não é apenas desnecessário e prejudicial ao meio ambiente. É também um retrocesso em termos de estigmatizar as pessoas que menstruam”, afirmou a autora Franka Frei no Instagram.

No Twitter, a conta oficial do aplicativo de monitoramento do ciclo menstrual, Clue, criticou o produto. 

O produto foi duramente criticado nas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram)

 “Pinky Gloves é uma startup alemã dirigida por homens que acreditam que o sangue menstrual não é limpo e que luvas são necessárias para trocar os absorventes internos ou externos. Por onde começamos? Não há nada anti-higiênico no sangue menstrual. Isso é period shaming”, afirmou a Clue no tweet. 

Period shaming é a expressão em inglês destinada à prática de associar o período menstrual a uma vergonha, como se não fosse algo natural do corpo feminino. 

O investidor Ralf Dümmel, depois que as críticas vieram à tona, admitiu que realizou o investimento sem se dar conta do problema. 

“Ficou claro para os fundadores que existem sérias críticas que os dois, como equipe masculina, simplesmente desconheciam. A menstruação é uma questão política. E admito que não prestei a atenção necessária a isso”, afirmou Dümmel em uma rede social. 

Os empreendedores Andre Ritterswuerden e Eugen Raimkulow publicaram no Instagram que o produto apresenta “pontos cegos” e que passará por um processo de revisão e reflexão de seus valores. 

“Não tratamos do assunto de maneira adequada. E isso foi um grande erro. Somos absolutamente a favor da remoção do tabu do assunto. Percebemos que ainda temos muito que aprender e que temos alguns pontos cegos. Levamos seu feedback muito a sério e estamos reconsiderando nosso produto”, disseram no post. 

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