Empreendedorismo

Empresa curitibana reinventa ecossistema de parceria entre multinacionais e universidades

.

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais
Empresa curitibana reinventa ecossistema de parceria entre multinacionais e universidades
Marcos Goes, sócio-fundador da Haze Shift, consultoria de inovação e transformação digital. (FOTO: Divulgação)

8 de outubro de 2020 - 18:03 - Atualizado em 8 de outubro de 2020 - 18:03

Com a rotina alterada na pandemia, as empresas tiveram que rever seus programas de aproximação com estudantes, startups, colaboradores e parceiros de negócios. Grandes eventos, muitas vezes, foram migrados para o ambiente virtual sem uma estratégia adequada.

“Replicar o ambiente físico para o digital é o maior dos erros. Ninguém aguenta assistir palestras o dia inteiro no computador. Há eventos online que estão devolvendo o dinheiro dos participantes”, alerta Marcos Goes, sócio-fundador da Haze Shift, consultoria de inovação e transformação digital.

A solução encontrada pela Haze Shift foi oferecer a empresas, executivos e palestrantes ambientes propícios para prender a atenção do público: do redesenho de programas corporativos ao serviço de um profissional audiovisual, que remotamente faz testagem de som e imagem e indica o ambiente adequado de iluminação para transmissões remotas. 

A reinvenção de programas de inovação 

Em um exemplo prático dessa adaptação, a Haze Shift e o Instituto Nissan redesenharam o Inova-san, programa de inovação aberta e educação empreendedora para universitários do Sul do Rio de Janeiro. As soluções podem ser adotadas pela companhia ou, ainda, gerar startups universitárias. 

Em 2019, o programa chegou a ter três hackathons simultâneos em cidades distintas.“Precisávamos adaptar para um modelo que não fosse chato”, afirma Marcos Goes. A solução foi promover atividades todos os dias da semana, totalizando 36 horas de conteúdo gratuito e virtual. 

Além disso, o conceito de Ideathon (maratona de ideias) foi reinventado, toda competição utiliza tecnologia da plataforma da startup portuguesa Taikai, parceira da HazeShift no Brasil, e há atividades de três horas em três sábados seguidos. Pela ferramenta Zoom, os inscritos têm acesso a salas de mentoria, mesas virtuais de debate e palestras simultâneas. De meia em meia hora, há a possibilidade de troca de sala, para os participantes conhecerem outras pessoas e “afinarem os projetos”, que podem ser inscritos até 18 de outubro. 

A presidente do Instituto Nissan, Rosane Santos, afirma que as mudanças não impactaram a qualidade do programa. “Conseguimos manter a mesma metodologia, o mesmo sequenciamento, garantimos a oferta de conteúdo de qualidade no programa, porém, adaptado a esse novo tempo em que as pessoas passam muito tempo em frente à tela do computador. Estamos muito felizes com esse formato que consegue ser lúdico e envolvente, e ainda assim de altíssima qualidade”, celebra a executiva. Ela apresentou a abertura do Inova-san ao vivo neste link.

Serviço audiovisual conecta palestrantes e universitários

O alto volume de lives em programas corporativos exige apresentações de alta qualidade de som e imagem, gerando oportunidades para especialistas em conteúdos audiovisuais. A função desse profissional é preparar o palestrante para o ambiente virtual: testa fone e som, indica posicionamento de câmera, de luz, entre outros recursos.

“Quando você assiste a um vídeo, se a imagem está ruim, você ainda tem uma chance de continuar. Mas se o áudio não ajuda, a pessoa tende a deixar a página. Então começamos por isso”, explica Luiz Henrique Costa Souza, especialista audiovisual da Haze Shift.

Esse novo serviço trouxe oportunidades para reinventar programas como o Inova-San e conectar empresas e estudantes à distância. Em um exemplo disso, a Haze Shift apoiou a semana acadêmica de Engenharia Mecânica da USP e da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) promovendo uma mesa redonda com executivos da área automobilística.

Luiz Henrique ficou responsável por fazer essa dinâmica, e – ao invés de conectar os executivos pelo Zoom – promoveu a transmissão ao vivo pelo YouTube, com edição em tempo real. “As pessoas comentavam no chat e eu selecionava as perguntas, que apareciam na tela para os executivos”, recorda. “É uma oportunidade de mercado para o audiovisual. Consegui encaixar bem a prestação desse serviço na pandemia”, garante Luiz.

Para as empresas, o recurso acaba sendo um modelo econômico, pois pode incluir em um mesmo projeto a prestação de consultoria de inovação, de redesign de programas corporativos e a gravação e transmissão de eventos.