13 de setembro de 2020 - 20:41

Atualizado em 24 de setembro de 2020 - 11:26

Com “Top Chef”, Record mostra que é possível produzir no “novo normal”

Por Willian Bressan

Com “Top Chef”, Record mostra que é possível produzir no “novo normal”
(Antonio Chahestian / Record TV)

Se a Band preferiu abrir mão da principal característica de um reality, que é o de acompanhar um grupo de pessoas durante várias semanas, acompanhando suas vitórias e derrotas, em função da pandemia, a Record seguiu por um caminho oposto com o “Top Chef”.

Com 5 episódios gravados antes do lock down de março, a Record decidiu não cancelar a estreia, e sim apenas pausar as gravações, que foram retomadas em julho. Na volta, processos sanitários foram adotados pela Floresta, que produz o programa, como triagem diária da equipe, pré-confinamento antes da volta aos estúdios, testes para os visitantes, distanciamento social nas gravações e proteções de acrílico. Nada que tirasse o brilho do reality. Apenas uma novidade mexeu com a estrutura do programa: na volta das gravações, a eliminação do episódio 5 (gravado em parte antes da pandemia) foi suspensa.

A decisão foi acertada. Enquanto o “Masterchef” apresenta uma temporada sofrível e facilmente esquecida, num formato já desgastado, o “Top Chef” se destaca por ser o oposto. Aqui, os jurados não são personagens. Não existe o fofo, o grosseiro, etc. São chefs experientes julgando o trabalho de profissionais. Não existe grosseria gratuita ou gritos exacerbados. Esqueça a edição irritante e a sonoplastia marcada. No “Top Chef” tudo funciona orquestrado como uma boa cozinha, mas para tudo existe um propósito. Os jurados, por exemplo, estão em igualdade. Bronze apresenta e opina. Emmanoel Bassoleil e Ailin Aleixo se complementam.

O confinamento, que já é característica do programa, é outro ponto interessante da atração. Os participantes ficam numa casa enquanto dura a atração, então as reações são mais “espontâneas” do que os depoimentos gravados na atração concorrente.

Com a decisão do retorno, a Record mostrou que é possível produzir no “novo normal” um programa de qualidade e que se destaca em relação às concorrentes. Enquanto o “Masterchef” está desgastado e sem novidades, e a Globo apresentou o “Mestres do Sabor”, uma chatice sem fim, o “Top Chef”, sem dúvida merece a faca de ouro dos realities.

Em tempo: com a estreia de “A Fazenda”, o “Top Chef” é agora exibido às sextas-feiras.