2 de outubro de 2020 - 17:11

Atualizado em 5 de outubro de 2020 - 13:00

Qual a importância de um advisor em uma startup?

Por Willian Bressan

Qual a importância de um advisor em uma startup?
Marco Cazarim, Thiago Paz e Gustavo Bakai, sócios da VOIT, startup curitibana.

Comum no dialeto startupês, o termo advisor – que em inglês significa orientador, ou mentor – é muito mais do que o significado em si. “Um advisor é aquele cara que presta consultoria, mentoria, mas que vivenciou o mercado, aprendeu com os próprios erros e acertos e pode passar a quem está começando uma visão de mercado e não apenas da teoria. O seu principal papel é entender o cenário da startup e ajudar na tomada de decisões que sejam assertivas para o business”, explica o CEO da Snowman Labs, Danilo Brizola. Ele ainda conta que um bom advisor aconselha, desde pequenos passos até grandes lances, como a contratação de um funcionário ou até mesmo o aceite ou não de um aporte vindo de fora.

A empresária Sandra Hayashida, que também é advisor de cinco startups atualmente, está no ramo desde 2017. A profissional acredita que ser advisor é colocar sua marca em um negócio. “É preciso pensar em como ajudar o negócio a melhorar e a crescer, e botar a mão na massa e não só ficar aconselhando.”

No caso da VOIT, startup curitibana que criou um marketplace de artigos esportivos usados, com objetivo de promover o consumo consciente, economia circular e, claro, o esporte, os sócios Gustavo Bakai, Marco Cazarim e Thiago Paz foram criteriosos ao escolher seus advisors, pois entendem que este é o suporte que precisarão em um momento de crescimento exponencial, como o que vivem hoje. “Atualmente, temos cinco advisors, um focado em cada objetivo estratégico da empresa, trazendo assim conhecimento de profissionais referência no mercado em suas áreas de atuação, sem necessariamente tê-los como um colaborador do time da VOIT”, explica Bakai, que é CEO da empresa.

A VOIT possui advisors com grande histórico profissional nas áreas de tecnologia, inteligência artificial, e-commerce, marketing digital e omni-chanel, que acompanham as decisões estratégicas desde o início da empresa. “É importante escolher alguém que você admire e faça parte dessa cultura e ecossistema de inovação. Para nós, é um porto seguro, porque eles são os únicos que sabem das forças e fraquezas, e nos ajudam a potencializar o que há de bom e ajustar o que é possível”, conta Paz, que é CTO da VOIT.

A remuneração dos advisors ainda é um tabu no meio das startups. “Muitas empresas trazem advisors pagando como consultores, no nosso caso, resolvemos adotar a política do Founders Institute – que é a aceleradora que passamos, em que os advisors são remunerados por meio de uma participação na empresa, que varia de acordo com as horas investidas mensalmente, bem como o estágio que o advisor entrou na operação da empresa. Desta forma, juntos, buscamos um valuation cada vez maior”, conclui Bakai.

Os startupeiros da VOIT dão dicas de como escolher bem seus advisors:

1- Escolher alguém cuja trajetória profissional seja admirada;
2- O advisor precisa acreditar no trabalho da startup e no potencial do negócio, afinal dali virá sua remuneração;
3- Ter valores e ideais semelhantes;
4- Procurar alguém que esteja inserido de alguma forma no ecossistema de inovação e possa compartilhar exemplos de sua realidade;
5- Esteja disposto a conceder feedbacks constantes e realistas, ele não está ali para agradar os fundadores e sim, para ser o pêndulo que muitas vezes traz os sócios para a realidade.