31 de maio de 2021 - 20:53

Atualizado em 31 de maio de 2021 - 21:14

Caçador, maior cidade do meio oeste de SC, sofre com apagão desde sexta-feira

Por Willian Bressan

Caçador, maior cidade do meio oeste de SC, sofre com apagão desde sexta-feira
Ventos derrubaram torres de transmissão de energia em Campos Novos (foto: Celesc/Divulgação)

Os moradores de Caçador, maior cidade do meio oeste de Santa Catarina, onde este blogueiro nasceu, sofrem com um apagão desde sexta-feira (28), em função de um tornado que derrubou torres de transmissão em Campos Novos e Videira. Já são mais de 68h sem luz, transtorno e certo caos. Residências, comércios e indústrias estão às escuras, o que levou o prefeito Saulo Sperotto (PSDB) a antecipar o feriado de Corpus Christi de quinta para esta segunda-feira (31). A situação já é mais traumática desde 1998, quando chuvas atingiram a cidade, e deixaram rastros de destruição e transtornos.

Caçador é uma das maiores economias de SC. (Foto: Divulgação/Prefeitura)

No fim de semana, a situação foi ainda mais caótica porque houve falta de água na cidade, em função de não haver energia para ligar as bombas. Agora, segundo a prefeitura, a situação está quase normalizada, mas a orientação é para que a população economize água. Alguns postos de combustíveis não abriram desde sexta-feira, segundo moradores. Em outros, segundo o jornal Extra SC, há filas para o abastecimentos dos carros.

O hospital Maicé e a Unidade de Pronto Atendimento funcionam com geradores, que foram abastecidos com combustível graças à doação de empresas locais. Supermercados abriram no domingo e alguns até cobravam R$ 5 para recarregar o celular dos clientes. A comunicação por telefonia celular também foi prejudicada. No sábado, apenas celulares da Claro funcionavam na cidade.

O que aconteceu

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável pela coordenação do Sistema Interligado Nacional (SIN), houve o desligamento automático da linha de transmissão, que interrompeu a transmissão nas subestações de Videira, Caçador, Caçador-Castelhano e Fraiburgo.  De acordo com a Celesc, as torres que caíram não são de propriedade dela, mas da Evoltz, uma empresa terceirizada responsável pela transmissão.

Em um momento em que se discutem questões do setor elétrico do país, é emblemático que uma cidade com mais de 80 mil habitantes e grandes empresas instaladas como a Guararapes, Viposa, Maxiplast, entre outras, não tenha um sistema de energia interligado com o Planalto Norte do estado, a partir de Mafra ou Canoinhas. Essa, aliás, foi a resposta dada pela Celesc quando indagada por qual motivo Caçador ainda não havia tido a energia restabelecida, enquanto Lebon Régis, uma cidade menor e ao lado, já contava com a volta parcial da luz desde a tarde de domingo (30).

O deputado Valdir Colbachini participou de uma reunião na Celesc nesta segunda-feira (31), segundo o portal Caçador On-Line (que está prestando um grande serviço de jornalismo e levando informação aos moradores), e cobrou providências.

“Caçador não pode ser fim da rede! Grandes empresas estão lá instaladas A cidade é uma das maiores cidade da região, com aproximadamente 80 mil habitantes”, afirmou.

Num país em que se paga tanto por impostos, o mínimo que se espera numa situação dessas é que uma solução alternativa seja apresentada em questão de horas, no máximo 24h. Moradores e comerciantes já perderam carnes e alimentos estocados em geladeiras e freezers. Para muitos, era a compra do mês. Indústrias paradas significam prejuízos incalculáveis.

“Não podemos deixar cair no esquecimento esta situação, que é extremamente delicada e deixa a maior cidade do Meio Oeste sem energia elétrica por mais de 70 horas. Seguimos em frente, avançando agora em mais um objetivo, de exigir uma estruturação preventiva para toda a nossa região”, afirmou o prefeito Saulo Sperotto.

A previsão de retorno de energia é para esta madrugada em Caçador, Timbó Grande, Calmon e Matos Costas.