Uma semana antes do carnaval 2020 viralizou um vídeo nas redes sociais onde o antropólogo Edward Luz foi preso ao  tentar impedir e desacatar dois agentes que estavam em nome do IBAMA realizando uma fiscalização na terra indígena Ituan-Italá (Pará) justamente para evitar ações ilegais de degradação ambiental. Mas o antropólogo brasileiro é o vilão ou o mocinho? E o que aconteceu de verdade? E quais eram as verdadeiras intenções de Edward Luz?

Na verdade o que aconteceu foi uma falta de comunicação entre o Ministério Público Federal e o IBAMA que resultou na prisão do antropólogo. Os agentes desconheciam a ordem ministerial do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que acordou juntamente com o Ministério Público Federal que nenhum patrimônio de situação de fragilidade será destruído por 30 dias em áreas ainda não demarcadas, desde que fossem interrompidas todas as ações de desmatamento na região. Edward Luz nunca teve a intenção de impedir a fiscalização do IBAMA para verificar a presença de invasores, grilagem ou mesmo desmatamento na região de terras Itatana/Itatá. Por sinal essa região indica que existem indícios de indígenas isolados, ou seja, que nunca tiveram contato com o homem branco. Por esse motivo a região está em estudo para ser demarcada como reserva indígena.  

Pela lei o antropólogo não é o vilão da história e suas intenções foram apenas cumprir a ordem ministerial do ministério do Meio Ambiente. Mas por que razões o antropólogo Edward Mantoanelli Luz, 36 anos é considerado pelo meio acadêmico, pela Associação de Antropologia Brasileira e pelas ONGS como a ovelha negra da antropologia em nosso país? Para entender isso, precisamos entender quem é o antropólogo brasileiro em questão.

 Edward Luz é bacharel e mestre em Antropologia pela Universidade de Brasília . Ele viveu entre indígenas ao longo de toda sua vida, mas fez seus estudos de pós-graduação durante mais de três anos com índios Akwen-Xerente, no interior do Tocantins, onde realizou pesquisas sobre o universo mitológico e ritualístico daquele grupo indígena do tronco Macro-Jê.

Edward Luz é uma espécie de ovelha negra, um rebelde da antropologia nacional e conhecido no seu meio acadêmico e universitário. Antes de ser considerado a semente do mal pelos acadêmicos da antropologia brasileira e pelas ONGS instaladas no Brasil, Edward foi  coordenador da FUNAI em dois grupos de trabalho de delimitação de terras indígenas na Amazônia brasileira. 

A partir de 2005 os ventos começaram a mudar e o antropólogo começou a  descobrir da forma mais traumática possível que antropologia no Brasil era muito mais ciência, era um instrumento político e econômico nacional e internacional para atender interesses de um projeto globalista. 

Em 2003 foi aprovado por concurso nacional e contratado pela primeira vez por meio de convênio Funai/PPTAL para realizar identificações e delimitações de três terras indígenas no Amazonas: Barro Alto, Prosperidade e Santa Cruz da Nova Aliança. PPTAL era sigla para Programa Integrado de Proteção das Terras Indígenas na Amazônia Legal, segundo o próprio Edward,  um programa por meio do qual países desenvolvidos financiaram a demarcação de milhares de hectares de Terras Indígenas. Curiosamente, todas na Amazônia. Nenhuma fora.

Edward trabalhou na demarcação das três áreas que foram aprovadas pela Funai, declaradas pelo Ministro da Justiça e homologadas pelos Presidentes Lula e Dilma. Embora fosse, àquela época, um antropólogo do mainstream, nenhuma das três áreas demarcadas se estendeu por áreas de propriedades privadas e por isto mesmo não geraram conflitos de qualquer natureza.

Foi enviado à campo por uma coordenadoria da Funai para averiguar denúncias de irregularidades e fraudes na demarcação das Terras Indígenas em São Gabriel/São Salvador, Guanabara e Sururuá, todas na região de fronteira com o Peru e Colômbia.

Conforme o relato do antropólogo, ele ficou perplexo com o que viu em campo. Parecia inacreditável, ao chegar Edward encontrou uma série de irregularidades flagrantes envolvendo desde tráfico de drogas e armas, na região da fronteira, até a migração ilegal de cidadãos peruanos para o Brasil, com a conivência da Funai, para legitimar demarcações no Amazônia brasileira. E se você pensa que as irregularidades pararam por aí, engana-se redondamente. A partir daí o cenário de crimes testemunhados por Edward só iriam piorar.

Edward presenciou o caso de uma antropóloga contratada pela Funai para uma demarcação que fora feita refém por um grupo de índios que a impediram de falar com qualquer pessoa de fora da comunidade. O antropólogo enviou um relatório técnico denunciando o caso ao órgão indigenista sem saber que o mesmo era o início do fim de sua carreira no mainstream.

Inúmeras irregularidades, manipulações e atrocidades foram cometidas por ONGs internacionais, nacionais e pelo crescente movimento indígena nacional envolvendo fraudes e manipulações indigenistas ainda seriam reveladas.

Já em  2007, o antropólogo foi novamente escalado pela Funai para realizar a identificação e delimitação de outras cinco terras Indígenas nos rios Padauirí, Aracá, Demini, Quiuiní e Baixo Rio Negro, todas no município de Barcelos, na bacia do Rio Negro, no estado do Amazonas. Lá Edward percebeu que existiam operações bem estruturadas, organizadas e bem pagas. As redes de organizações tramavam, manipulavam e operavam o sistema de demarcações de terras indígenas na Amazônia. O antropólogo havia se deparado com um grande esquema de financiamento internacional para a demarcação de terras indígenas na Amazônia Brasileira”.

“Sob o pretexto de estarem promovendo a proteção aos indígenas e das florestas da Amazônia uma fundação norte-americana, a Betty & Gordon Moore Foundation e a própria Agência de Cooperação norte-americana, EUA, que fique bem claro, a United States Agency for International Development (USAID) estavam bombeando recursos para várias ONGs brasileiras, entre elas o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e o Instituto Socioambiental (ISA). Com os recursos internacionais estas ONGs patrocinavam, induziram e conduziam os processos de demarcação de terras indígenas no Brasil, sob o olhar complacente da Funai”, afirma Edward.

O mesmo declarou que “O dinheiro estrangeiro era destinado a campanhas patrocinadas de transformação de populações caboclas da bacia amazônica em índios para legitimar as demarcações. As ONGs queriam dar destinação a grandes áreas de floresta na Amazônia e bancaram campanhas de criação de índios para legitimar os processos demarcatórios”, um processo de Edward chama de etnicização

Edward Luz descobriu e testemunhou em campo o fluxo de recursos das ONGs norte-americanas (USA), para que as ONGs nacionais estimulam a população ribeirinha da calha da Amazônia brasileira, a maioria caboclos e mestiços, a se autodeclararem indígenas. A tal etnicização era o ponto de partida para que o estado brasileiro através da Funai iniciasse processos de demarcação de grandes áreas de floresta que depois eram homologados pelo Ministro da Justiça e decretadas pelo Presidente Dilma.

As populações amazônicas, afetadas pela carência generalizada de serviços públicos, viam vantagens na promessa de receberem terras e serviços específicos do governo destinados aos índios e abraçavam facilmente a causa das ONGs. “A Funai cabia emitir os Registros de Nascimento Indígena (Rani) em nomes dos mestiços e legitimar a demarcação através dos processos demarcatórios. De acordo com o antropólogo, apenas o Instituto Socioambiental recebeu nada menos que 2,8 milhões de dólares nesse esquema”, expôs o Edward.

Assustado e indignado com o desvendar deste enorme esquema, Edward o denunciou à Polícia Federal e às instâncias governamentais mais elevadas da defesa nacional. Nada adiantou.

Segundo ele, nada mudará enquanto não mudar a legislação. “Nesta questão indígena, o estado brasileiro é absolutamente refém de três minorias: dos engenheiros sociais bem pagos por ONGs internacionais, das minoria étnicas que se politizaram no movimento indígena nacional e dos antropólogos engajados e militantes dentro e fora da FUNAI”, afirma Edward. De acordo com o antropólogo, seus colegas de profissão “servem apenas para defender e legitimar todo o esquema, mais precisamente toda e qualquer demanda da agenda geopolítica do movimento indígena”, afirma.

Para Edward Luz, os antropólogos do mainstream agem livremente sem que as autoridades governamentais brasileiras percebam o risco e o perigo que o país corre de ser completamente travado pelo esquema. “Nenhuma autoridade brasileira se deu conta ainda das reais ameaças de divisão e conflitos étnicos que pairam e crescem sobre a nação. Todos eles induzidos, inflados e estimulados por membros deste mesmo esquema”, afirma o antropólogo.

Em maio de 2010 após as denúncias da revista Veja na reportagem especial “A farra da Antropologia Oportunista”, Edward passou a denunciar também para deputados, senadores e demais autoridades brasileiras um conjunto de fraudes, distorções e manipulações identitárias praticadas pela FUNAI e pelos “antropoideológos” engajados.

Entrou definitivamente em rota de colisão com a ala majoritária e crescente de antropólogos radicais engajados e militantes da Funai e da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Foi perseguido por membros das duas instituições, bem como pela ala radical e politicamente engajada da esquerda e do movimento indígena nacional.

No ano de  2012, em meio a uma campanha atroz de difamação, Edward pediu desligamento da ABA. Para ele, a associação brasileira de antropologia se tornou uma, “associação cada vez menos científica, e mais politicamente engajada, comprometida e submissa aos interesses políticos dos movimentos étnico zantes e ONGs internacionais que ameaçam cada vez mais o direito de propriedade de cidadãos, proprietários e produtores brasileiros”. Desde 2010 o número de casos de fraudes e manipulações antropológicas e as denúncias feitas por Edward Luz sobre a atuação da Funai, de ONGs internacionais e nacionais e dos movimentos étnicos só aumenta e entraram de vez na pauta do debate político.

Fora da ABA, Edward também ficou fora do esquema de distribuição de trabalho entre os antropólogos engajados no esquema. Atualmente, presta serviços de consultoria para produtores e sindicatos rurais, e para municípios e comunidades inteiras ameaçados pelo esquema de demarcações.

Para os seguidores a agenda globalista Edward Luz é uma ameaça para os planos e interesses nacionais e internacionais de partidos, corporações, países e ONGS que desejam voltar a controlar recursos e poder político no Brasil. 

Régis Rothfilber

Régis Rothfilber

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