Educação

“Volta às aulas em Curitiba depende da sociedade, diz secretária de saúde

Conforme a fala de Márcia Huçulak, a prefeitura já estava discutindo a volta às aulas na capital paranaense, mas medidas judiciais impedem que ela ocorra

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações da CMC
“Volta às aulas em Curitiba depende da sociedade, diz secretária de saúde
Foto: Pixabay

24 de setembro de 2020 - 14:31 - Atualizado em 24 de setembro de 2020 - 14:56

A secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak, afirmou durante audiência pública, nesta quarta-feira (23), na Câmara Municipal, que a volta às aulas em Curitiba depende da sociedade já que a prefeitura está impedida judicialmente de permitir o retorno das atividades presenciais. 

“Isso já não nos pertence mais, pois estamos impedidos [por medidas judiciais]. Agora é a sociedade que tem que decidir isso. Fomos interpelados por uma ação civil pública. Várias, aliás, que a gente respondeu, do Ministério Público [do Paraná] e, inclusive, chegou [ao ponto de] numa vídeo reunião, com um promotor… [De ser feita] ameaça a todos os membros do comitê, em processo criminal, cível e administrativo”, declarou Huçulak, 

Huçulak ainda sinalizou que a volta às aulas na capital paranaense estava em debate na Prefeitura de Curitiba, mas que a judicialização do tema travou esse avanço. “Só tenho a lamentar a ação de grupos que não querem nem ouvir falar disso”, disse.

“É óbvio que a gente não está dizendo que, ao voltar para a escola, que a criança não pode desenvolver a Covid-19. O que nós sabemos, discutindo com os infectologistas, é que 99% dos jovens abaixo dos 19 anos vão ter a Covid-19 de forma leve. Tivemos 1% de casos [de jovens, em Curitiba] que internaram. E são casos de crianças que não estariam em escola, em creche. Foram crianças que adquiriram a Covid=19 por estar indo aos hospitais para se tratar [de outras condições médicas]”, declarou. Huçulak entende que “não é só a educação formal, [que] a escola tem um papel social de proteção da criança e do adolescente” e que “lamenta pelas crianças”.

Durante a audiência, a secretária também comparou o caso do Brasil com a Europa na questão da volta às aulas. Ela pontuou que no país, a sociedade optou, ou seja, fez pressão para abrir primeiro os estabelecimentos comerciais e de serviço do que as escolas

“As primeiras atividades que voltaram, em vários países, na Europa, foram as escolas. Mas o Brasil fez uma opção inversa. A gente tem muita pressão para soltar buffet infantil, eventos, festas e bares… E eu acho que a sociedade não fez uma discussão adequada com relação a esse tema tão delicado”, comentou a secretária de Saúde.

Volta às aulas no Paraná

Nesta quarta-feira (23), o governo estadual também começou a discutir um plano-piloto para volta às aulas no Paraná. A ideia é que o plano seja aplicado primeiramente em municípios onde os índices epidemiológicos da Covid-19 estão mais baixos como, por exemplo, Irati, Guarapuava ou União da Vitória.

O plano-piloto deve ser testado por duas a três semanas e caso aprovado, será aplicado em todas as regiões do estado e sempre seguindo as medidas de distanciamento social, revezamento de alunos e de higiene. 

Veja as medidas para a volta às aulas no Paraná:

  • o número máximo de alunos por sala de aula deverá respeitar o distanciamento mínimo de 1,5 metros; 
  • os estudantes serão divididos em grupos para revezamento. Aqueles que assistirem aula presencial em uma semana farão aulas remotas na outra e vice-versa;
  • será adotado um modelo híbrido em que as aulas online ocorrem todos os dias e as presenciais de forma escalonada; 
  • a aferição de temperatura será feita diariamente e os alunos que estiverem com mais de 37º não poderão entrar na escola;
  • os horários de saída, entrada e de intervalo deverão ser intercalados entre as turmas, para evitar a aglomeração;
  • as idas ao banheiro também deverão ocorrer de forma escalonada;
  • o acesso às instituições de ensino deverá ser limitado para que só entrem nos locais pessoas indispensáveis aos funcionamento. O atendimento ao público deverá ser feito por telefone ou pela Internet; 
  • o lanche deverá ser trazido preferencialmente de casa e ingerido em suas próprias mesas de estudo. No caso de merenda escolar, a alimentação também deverá ocorrer de forma escalonada e com intervalo para que o local de distribuição possa ser higienizado;
  • deverão ser realizadas atividades para fortalecer a retomada de conteúdos com a volta às aulas no Paraná e o nivelamento de aprendizagem entre os alunos.