Economia

Volatilidade cambial seguirá alta até BC completar ciclo de normalização monetária, prevê BNP

Reuters
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Volatilidade cambial seguirá alta até BC completar ciclo de normalização monetária, prevê BNP
Corretor mostra notas de dólares dos EUA em casa de câmbio em Peshawar, Paquistão

21 de julho de 2021 - 16:24 - Atualizado em 21 de julho de 2021 - 16:25

SÃO PAULO (Reuters) – O real seguirá com alta volatilidade até que o Banco Central complete o ciclo de normalização monetária, que deve terminar no começo do ano que vem com a Selic a 7,5% ao ano, disse Luca Maia, estrategista de câmbio e juros para América Latina do BNP Paribas.

A diferença média entre máximas e mínimas do dólar futuro em relação a cada fechamento anterior vem em alta desde meados de junho, saindo de cerca de 1,22% para 1,75%. Outra medida de instabilidade, a volatilidade implícita nas opções de dólar/real de três meses desde o começo do mês voltou a ser a mais alta dentre os pares comparáveis do real, estando em 16,6% ao ano, contra 10,3% do peso mexicano.

A maior volatilidade veio acompanhada de aumento do preço do dólar, que já subiu 6,4% desde que bateu mínimas abaixo de 4,90 reais em 25 de junho. O real tem nessa base de comparação o pior desempenho entre seus principais rivais.

“Achamos que isso é um movimento mais técnico, já que o real vinha de uma valorização desde março e havia maior carregamento de posições vendidas em dólar quando o mercado começou a discutir mudanças no cenário de crescimento econômico global”, disse Maia.

“Não acredito que seja algo que deva alterar nossa visão de longo prazo… Conforme o Brasil for entregando mais juros, a volatilidade vai reduzir, mas até completar esse ciclo de normalização a volatilidade vai ser mais alta.”

O BNP prevê Selic de 6,5% ao fim deste ano e de 7,5% no término de 2022 –ambas as previsões têm viés de alta e o juro está hoje em 4,25%. Com isso, o dólar cai a 4,75 reais em 2021 e fecha 2022 a 4,60 reais.

Num exemplo da importância dos diferenciais de juros para um cenário de recuperação da divisa brasileira, o BNP calcula que uma Selic de 7,5% no começo de 2022 num modelo com demais variáveis (risco-país, termos de troca) travadas seria condizente com uma valorização de 21% do real ante o dólar até lá.

Maia lembra, contudo, que há alguns componentes de risco mais difíceis de mensurar, como temas políticos, e que o real continua sentindo os efeitos nos investidores estrangeiros do episódio conhecido como “Joesley Day” –em 18 de maio de 2017 houve pânico nos mercados domésticos um dia após virem a público denúncias de Joesley Batista, um dos donos da J&F, envolvendo diretamente o então presidente Michel Temer.

Na ocasião, o mercado entendeu que os eventos sepultaram a agenda de reformas em curso. Naquele 18 de maio, o dólar disparou 8,15%, maior alta desde março de 2003.

Por ora, a principal posição do BNP em real é contra o euro, escolha, segundo Maia, justificada pela expectativa de que a narrativa de redução de estímulos nos Estados Unidos enfraqueça a moeda comum europeia, o que a tornaria ideal para financiamento.

(Por José de Castro)

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