Economia

Setor público tem déficit primário de R$87,59 bi em agosto, dívida bruta renova recorde

Reuters
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Setor público tem déficit primário de R,59 bi em agosto, dívida bruta renova recorde
Sede do Banco Central em Brasília

30 de setembro de 2020 - 10:21 - Atualizado em 30 de setembro de 2020 - 10:25

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) – O setor público consolidado brasileiro teve déficit primário de 87,59 bilhões de reais em agosto, abaixo do esperado pelo mercado, mas a dívida bruta voltou a renovar seu recorde histórico diante dos vultosos gastos do país com a crise do coronavírus.

Em pesquisa da Reuters, a expectativa era de um déficit maior, de 95,3 bilhões de reais para o mês.

Em agosto, a dívida pública bruta saltou ao patamar recorde de 88,8% do Produto Interno Bruto (PIB), sobre 86,4% em julho, divulgou o Banco Central nesta quarta-feira.

Segundo a autarquia, o aumentou deu-se principalmente pelas emissões líquidas, com impacto positivo de 1,8 ponto percentual, além da incorporação de juros nominais (+0,4 ponto) e o efeito da desvalorização cambial (+0,3 ponto).

No ano até agora, a dívida bruta, considerada o principal indicador da saúde fiscal do país, já subiu 13,0 pontos ante o fechamento de 2019. A expectativa mais recente do Ministério da Economia, divulgada nesta semana, é de que ela vá a 93,9% do PIB em dezembro, considerando uma retração da economia de 4,7%.

O Tesouro já avaliou que o patamar é considerado muito elevado ante média esperada para países emergentes de 62% ao fim deste ano.

A dívida líquida, por sua vez, subiu a 60,7% do PIB em agosto, ante 60,1% no mês anterior, mostraram os dados do BC.

O déficit primário do governo central (governo federal, BC e Previdência) foi de 96,47 bilhões de reais no período. Enquanto isso, Estados e municípios registraram superávit de 9,10 bilhões de reais e as empresas estatais ficaram no vermelho em 219 milhões de reais.

Na véspera, o Tesouro já havia informado um rombo recorde para agosto para o governo central, com um pequeno aumento nas receitas sendo insuficiente para fazer frente à forte elevação das despesas em meio à pandemia.

Nos oito primeiros meses do ano, o déficit do setor público consolidado foi a 571,37 bilhões de reais e, em 12 meses, o rombo foi de 611,29 bilhões de reais, equivalente a 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

O Ministério da Economia estimou que o déficit do setor público consolidado será de 895,8 bilhões de reais neste ano, correspondente a 12,5% do PIB.

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