Economia

Nomura e Credit Suisse alertam sobre perdas após hedge fund dos EUA não cumprir chamada de margem

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Nomura e Credit Suisse alertam sobre perdas após hedge fund dos EUA não cumprir chamada de margem
Logo do Nomura, maior banco de investimentos do Japão, fotografado em Nova York

29 de março de 2021 - 15:20 - Atualizado em 29 de março de 2021 - 15:25

Por Makiko Yamazaki e John Revill

TÓQUIO/ZURIQUE (Reuters) – Nomura e Credit Suisse estão enfrentando bilhões de dólares em perdas depois que um hedge fund dos Estados Unidos, que fontes afirmam ser o Archegos Capital, não cumpriu chamadas de margem, colocando investidores em alerta sobre quem mais poderia ter sido pego.

As perdas na Archegos Capital Management, comandada por Bill Hwang, ex-gestor do Tiger Asia, desencadearam uma grande venda de ações na sexta-feira, segundo fonte familiarizada com o assunto.

O Nomura, o maior banco de investimento do Japão, alertou nesta segunda-feira que enfrenta uma possível perda de 2 bilhões de dólares devido a transações com um cliente norte-americano, enquanto o Credit Suisse disse que o não cumprimento de chamadas de margem por um fundo com sede nos EUA poderia ser “altamente significativo e substancial” para o resultado do primeiro trimestre.

O banco suíço disse que um fundo ficou “inadimplente em chamadas de margem” para ele e outros bancos, o que significa que o Credit Suisse estava se desfazendo das posições do fundo.

Duas fontes disseram que as perdas do Credit Suisse provavelmente serão de pelo menos 1 bilhão de dólares. Uma dessas fontes disse que as perdas podem chegar a 4 bilhões de dólares, um número também divulgado pelo Financial Times. O Credit Suisse não quis comentar sobre qualquer estimativa.

As ações do Nomura fecharam com queda de 16,3%, um declínio recorde para um dia, enquanto as ações do Credit Suisse caíram 14%, a maior perda em um ano.

O regulador financeiro da Suíça disse nesta segunda-feira que estava ciente do caso do hedge fund e entrou em contato com o Credit Suisse a respeito. O regulador suíço também disse que vários bancos estavam envolvidos.

O Banco Nacional da Suíça não quis comentar.

No Japão, o secretário-chefe de gabinete, Katsunobu Kato, disse que o governo vai monitorar cuidadosamente a situação envolvendo o Nomura e que a Agência de Serviços Financeiros compartilhará informações com o Banco do Japão.

As ações de outros bancos foram afetadas, com o Deutsche Bank caindo 3,2%, enquanto o UBS perdia 3,9%. O UBS não fez comentários imediatos sobre os preços de suas ações ou exposição à Archegos.

A exposição ao Archegos do Deutsche era uma fração do que outros têm, disse uma fonte familiarizada com o assunto, acrescentando que o banco alemão não havia incorrido em perdas e estava em processo de administração de sua posição.

CHAMADA DE MARGEM

Uma chamada de margem é quando um banco pede a um cliente que forneça mais garantias se uma transação parcialmente financiada com dinheiro emprestado cair drasticamente em valor. Se o cliente não puder fazer isso, o credor venderá os ativos para tentar recuperar o que é devido.

Chamadas de margem sobre a Archegos Capital levaram a um desmonte massivo de apostas em ações alavancadas. As ações da ViacomCBS e da Discovery caíram cerca de 27% na sexta-feira, enquanto as ações listadas nos EUA da Baidu e da Tencent Music despencaram durante a semana, caindo 33,5% e 48,5%, respectivamente, dos níveis de fechamento de terça-feira.

Os investidores estavam nervosos sobre se toda a extensão da aparente movimentação da Archegos foi realizada ou se havia mais vendas por vir.

Hwang não respondeu a uma mensagem no LinkedIn. Uma pessoa da Archegos que atendeu o telefone no sábado não quis comentar. Hwang, que fundou a Archegos e dirigiu a Tiger Asia de 2001 a 2012, rebatizou-a Archegos Capital e transformou-a em um family office, de acordo com uma imagem do site do fundo. O Tiger Asia era um fundo com sede em Hong Kong que buscava lucrar com apostas em títulos na Ásia.

Em 2012, Hwang fechou acordo relacionado a negociação com informações privilegiadas com a Securities and Exchange Commission (SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos EUA), de acordo com nota à imprensa na época. Ele e suas firmas concordaram em pagar 44 milhões de dólares no acordo, segundo o comunicado.

A escala das perdas nos bancos provavelmente levantará questões sobre a supervisão dos bancos de sua exposição à Archegos.

“Se os números que podemos ler sobre o Credit Suisse forem precisos, há claramente um grande problema de gerenciamento de risco”, disse Jérôme Legras, sócio-gestor e chefe de pesquisa da Axiom Alternative Investments, que investe em bancos e seguradoras.

(Por Megan Davies, Ira Iosebashvili e Kenneth Li em Nova York, com reportagem adicional de Juby Babu e Sagarika Jaisinghani em Bengaluru e Rachel Armstrong e Julien Ponthus em Londres)

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