Economia

Mudança em “normalização parcial” demandaria alteração importante em perspectiva de inflação, diz Campos Neto

Reuters
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Mudança em “normalização parcial” demandaria alteração importante em perspectiva de inflação, diz Campos Neto
Campos Neto vê impacto de 2ª onda da pandemia para atividade em março, abril e maio

6 de abril de 2021 - 13:39 - Atualizado em 6 de abril de 2021 - 13:40

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária só alterará sua estratégia de “normalização parcial” da política monetária caso veja sinais de elevação significativa da inflação e das expectativas para a alta dos preços à frente.

Ele reiterou, durante evento do banco Itaú, que a decisão do BC de elevar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual em março e sinalizar nova alta da mesma magnitude para maio seguiu entendimento de que agir rápido na política monetária implica fazer “menos ao final”.

Questionado sobre o que poderia levar o BC a optar por uma normalização total da política monetária –ao invés do processo de normalização “parcial” citado na última decisão sobre os juros–, Campos Neto mencionou os preços elevados das commodities em reais e os prêmios fiscais na parte longa da curva de juros impactando a inflação e as expectativas.

“Esses elementos teriam que mudar muito para a gente fazer algo diferente”, disse Campos Neto, em inglês.

“Estávamos vendo contaminação nas expectativas de 2021 para 2022 e até além. Então não é sobre consertar 2021, que estará fora do cenário muito em breve, mas é sobre o processo de contaminação que estava se estabelecendo, acho que foi por isso que fizemos o que fizemos”, afirmou.

Campos Neto frisou que o BC atua com a preocupação de equilíbrio e que o risco visto no ano passado de a inflação ficar próxima de 1,5% o preocupou tanto quanto a possibilidade de inflação superar a meta agora.

Em apresentação inicial, Campos Neto afirmou que a expectativa é que, após a forte recuperação da economia após o baque da primeira onda da pandemia da Covid-19, a segunda onda da doença afetará negativamente a atividade do país em março, abril e maio.

Ele reiterou, contudo, que a perspectiva para o segundo semestre é favorável, com a expectativa de reabertura da economia. Destacando que o país “finalmente” atingiu a marca de mais de 1 milhão de vacinados por dia, Campos Neto disse que a expectativa é de aceleração do processo de imunização a partir daí.

(Por Isabel Versiani e Jamie McGeever)

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