Lukas Rique
Liberdade Financeira

Por Lukas Rique

Economia
Lukas Rique

Investir no Exterior – Como Começar?

Investir globalmente pode ser mais simples do que parece.

Investir no Exterior – Como Começar?
Dólar fecha próximo da estabilidade, mas volta a bater recorde (Foto: Agência Brasil)

18 de agosto de 2020 - 17:22 - Atualizado em 18 de agosto de 2020 - 17:29

Muitas pessoas podem imaginar que investir no exterior é algo acessível somente para grandes investidores ou pessoas que possuam um capital muito mais expressivo.

A verdade é que é mais acessível do que parece.

Entenda uma coisa: o Brasil é um país considerado emergente, ou seja, nossa economia e moeda local possuem algumas influencias que podem significar grande instabilidade em seus investimentos. Obviamente que isso não significa que você deve sair correndo do Brasil para investir no exterior, ainda mais se suas despesas estiverem em moeda local, mas o importante é você começar a considerar a formação de seu patrimônio de longo prazo em uma Moeda Forte, de um país considerado desenvolvido, como Estados Unidos, Suíça, Alemanha, França, etc.

Partindo desse princípio elementar, qual a principal vantagem de investir no exterior?

Além de estamos atrelados a uma moeda forte, como dito acima, mais resiliente contra momentos de incerteza na economia, temos a possibilidade de diversificar nossos investimentos e ampliar nossa estratégia de alocação, investindo nas maiores empresas do mundo por exemplo, como Apple, Amazon, Facebook, Tesla, entre outras.

No Brasil, nossa principal e única bolsa – B3 – conta com aproximadamente 400 empresas listadas, sendo que apenas cerca de 70 empresas representam 85% de todo o volume negociado diariamente, o restante é composto por empresas de menor liquidez, volume de negócios e valor de mercado. Portanto, devemos concordar que existe certa limitação em nosso mercado.

O PRIMEIRO PASSO PARA O INVESTIDOR GLOBAL

Gosto de dizer que após investir no exterior e em empresas globais, o investidor nunca mais terá a mesma visão sobre o mercado brasileiro, pois irá conhecer um universo paralelo que é composto pelas maiores empresas do mundo, que ditam (e irão continuar ditando) o ritmo de consumo da sociedade e seus costumes. Creio que a maioria de nossos leitores aqui utiliza diariamente algum serviço do Facebook, Apple, Microsoft, Google, Netflix e Amazon, certo?

Tamanha é a importância dessas companhias no cenário global que foi desenvolvido um conceito chamado FAANMG, cujo qual representa o grupo de empresas com potencial de dobrar de tamanho nos próximos 10 anos e atualmente já possuem um valor de mercado superior a casa dos trilhões de dólares:

  • F – Facebook
  • A – Apple
  • A – Amazon
  • N – Netflix
  • M – Microsoft
  • G – Google

E se você pensar que esse é um movimento que começou agora e que não tem tamanha expressão, observe no gráfico abaixo o retorno dos últimos 10 anos das FAAMGS (exceto Netflix) vs S&P500 (500 maiores empresas dos EUA)

Retorno FAAMG x S&P500 - última década

Para podermos nos expor a ativos como esses bem como a moedas mais fortes, como o Dólar por exemplo, podemos adotar algum dos passos abaixo:

01 – Abrir conta em corretora no Exterior:

Existem algumas corretoras estrangeiras que oferecem suporte completo em português – voltado para atender brasileiros – cujo processo de abertura de conta é extremamente simples, tudo online, além de algumas possuírem taxa zero. Algumas opções são as corretoras Avenue e TD Ameritrade.

02 – Alocar em ETF’s listados na B3:

ETF’s (Exchange Traded Funds) são fundos de investimento listados em bolsa, e geralmente replicam índices de ações. Além de possuírem baixas taxas de administração, podem lhe trazer uma facilidade maior na alocação por já possuírem em sua composição algumas das principais empresas a nível global, como por exemplo o ETF que replica o principal índice de ações norte americano – S&P500 – chamado IVVB11.

Se você quiser uma explicação um pouco mais detalhada sobre como funcionam e como investir em ETF’s confira o vídeo abaixo:

A lista completa de ETF’s pode ser consultada no site da B3: http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/etf/renda-variavel/etfs-listados/

03 – Investir em BDR’s / ADR’s listados na B3:

Os ativos conhecidos como BDR’s (Brazilian Depositary Receipts) e ADR’s (American Depositary Receipts) são ativos que replicam ações norte americanas listadas nos EUA e/ou ações brasileiras listadas nos EUA e que podem ser negociadas em reais aqui no Brasil, porém com o efeito do dólar como lastro da operação, ou seja, se o mercado no Brasil cair e o dólar subir, seus BDR’s/ADR’s irão subir considerando o efeito do dólar e a performance da ação lá no exterior. Alguns BDR’s listados na B3 são:

  • AMZO34 (Amazon)
  • AAPL34 (Apple)
  • FBOK34 (Facebook)
  • BERK34 (Berkshire Hathaway)

A lista completa de BDR’s pode ser consultada no site da B3: http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/bdrs/bdrs-nao-patrocinados/bdrs-nao-patrocinados-listados/

04 – Investir em Fundo Cambial:

Essa pode ser uma alternativa mais simples para o investidor fazer tudo por uma corretora aqui no Brasil, os fundos cambiais são obrigados a investir pelo menos 80,0% de sua carteira em ativos relacionados, diretamente ou sintetizados, via derivativos, à alguma moeda estrangeira, normalmente dólar ou euro. Os 20,0% restantes do montante não aplicados em ativos de moedas estrangeiras são, normalmente, aplicados em títulos e operações de Renda Fixa mais conservadores, para garantir, assim, uma rentabilidade estável no fundo.

Por fim, todo o processo de investimento requer um planejamento, ainda mais quando se trata de investimentos no exterior, onde a legislação aplicável, aspectos tributários, entre outros fatores podem possuir suas diferenças do que vemos aqui no Brasil, portanto procure por um profissional qualificado para te orientar nesse processo.

Até a próxima!