Economia

Largo Clean Energy aposta em baterias elétricas nos EUA com vanádio da Bahia

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Largo Clean Energy aposta em baterias elétricas nos EUA com vanádio da Bahia
Logo da bolsa norte-americana Nasdaq, em Nova York

4 de maio de 2021 - 10:11 - Atualizado em 4 de maio de 2021 - 10:15

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) – A Largo Clean Energy, com sede nos Estados Unidos, tem se preparado para produzir baterias elétricas com vanádio, minério extraído na Bahia pela coligada Largo Resources, em uma aposta no potencial de soluções de armazenamento de energia integradas a fontes renováveis.

Presidente de ambas as empresas, o brasileiro Paulo Misk disse à Reuters que está em negociações avançadas para fechar os primeiros contratos de fornecimento, e defendeu que as baterias de vanádio permitirão guardar energia por mais tempo e com menores custos frente às rivais fabricadas com lítio.

“Nossa bateria não é para competir com bateria de carro… nossa bateria é para tornar a produção de energia renovável, especialmente solar e eólica, viável a ponto de ocupar até 100% da matriz. É uma bateria estacionária, para grandes quantidades de energia”, explicou o executivo, em conversa por vídeo.

A tecnologia de vanádio para baterias no mundo já existe, mas o uso em maior escala está esperado para os próximos anos.

“Devemos entregar as primeiras baterias ano que vem, a partir do meio do ano que vem”, acrescentou ele, ao comentar conversas em andamento com cinco potenciais compradores, incluindo uma empresa de energia na Europa e possíveis clientes na Austrália e África.

As aplicações possíveis para os produtos incluem o uso associado a instalações de geração eólica ou solar, permitindo o armazenamento de excessos de produção para aproveitamento quando há falta de sol ou vento; e a instalação junto a sistemas de geração em regiões remotas e sem acesso à rede, por exemplo.

No Brasil, as baterias de vanádio poderiam ser usadas para garantir o fornecimento de energia renovável de forma confiável a áreas isoladas na região Norte que hoje dependem de caras e poluentes usinas termelétricas a óleo, apontou Misk.

Segundo ele, a companhia terá atuação global, enquanto a localização nos EUA da sede e de unidades de produção de componentes para os sistemas de armazenamento foram “estratégicas”, dado o foco do país em investimentos em tecnologia e agora em fontes renováveis.

A Largo Resources, empresa canadense do mesmo grupo que produzirá e fornecerá o vanádio para as baterias, a partir da mina de Maracás Menchen na Bahia, inclusive passou recentemente a ter ações negociadas na bolsa norte-americana Nasdaq.

“Os EUA estão extremamente comprometidos em ter energia limpa, e a vitória de Joe Biden sinalizou isso muito claramente. Isso foi um fator importante para desenvolvermos (a nova empresa de baterias) lá”, disse Misk.

“Nosso produto (baterias) vai ser produzido nos EUA. O vanádio no Brasil. E para aproveitar essa onda (da energia limpa) queremos vender bateria no mundo inteiro.”

Sistemas de armazenamento de energia tiveram crescimento global recorde em 2020, puxado pela região Ásia-Pacífico, segundo relatório da consultoria Wood Mackenzie, que vê as Américas tomando a liderança do mercado a partir de 2025 devido à expansão projetada nos EUA.

A consultoria projeta que os investimentos acumulados em armazenamento deverão atingir 86 bilhões de dólares até 2025.

EMPRESA INTEGRADA

A criação da Largo Clean Energy veio no final de 2020, após a aquisição pela Largo Resources de patentes para os sistemas de armazenamento com vanádio e contratação de especialistas que atuavam há anos no desenvolvimento da tecnologia.

O CEO disse que as baterias da empresa terão vida útil de mais de vinte anos, contra sete das rivais de lítio, e que o vanádio utilizado nas instalações poderá ser totalmente reaproveitado após filtragens.

O modelo de negócios da companhia, inclusive, prevê o fornecimento dos serviços de armazenamento de energia em formado de “leasing”, sob o qual o eletrólito de vanádio utilizado nos sistemas de baterias não seria vendido aos clientes.

Segundo Misk, os sistemas com vanádio são mais competitivos que baterias de lítio em soluções que preveem armazenamento da energia por longos períodos, acima de quatro horas.

Questionado, ele não quis abrir projeções de investimentos, mas disse que a maior parte dos recursos será aplicada no Brasil, onde a empresa explora o vanádio.

Em junho, a Largo Resources prevê iniciar o comissionamento de uma nova planta em Maracás, na Bahia, que produzirá o eletrólito de vanádio para as baterias.

(Por Luciano Costa)

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