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ENTREVISTA-Votorantim Energia e canadense CPPIB miram solar e podem investir em transmissão

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ENTREVISTA-Votorantim Energia e canadense CPPIB miram solar e podem investir em transmissão
Painéis de energia solar em Porto Feliz (SP)

14 de setembro de 2020 - 19:32 - Atualizado em 14 de setembro de 2020 - 19:35

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) – A joint venture entre a Votorantim Energia e a gestora canadense de fundos de pensão CPPIB avalia oportunidades em geração solar como próximo passo para expandir seus negócios no setor elétrico do Brasil, mas aquisições de ativos de transmissão não estão descartadas, disse à Reuters o principal executivo da companhia.

Atualmente, as empresas controlam em conjunto a Cesp, que possui hidrelétricas em São Paulo, e ainda operam parques eólicos no Piauí e em Pernambuco com cerca de 560 megawatts em capacidade, que estão em fase inicial de expansão, com previsão de alcançarem quase 1 gigawatt em funcionamento em 2022.

“Agora o próximo passo, dentro desse portfólio, temos como desejo que seja solar”, revelou o presidente da VTRM Energia, Fabio Zanfelice, ao destacar que o movimento visa criar um conjunto equilibrado de ativos de geração em carteira.

Enquanto riscos associados à hidrologia que impactem a produção das usinas da Cesp podem ser compensadas em parte pelos empreendimentos eólicos da companhia, projetos solares seriam complementares ao perfil dessas usinas a vento do grupo, que geram mais energia à noite.

“Isso quer dizer que só vamos fazer solar, que é solar e mais nada? Não, vamos continuar olhando ativos que façam sentido para esse nosso portfólio, mas sempre sob essa ótica de ativos que conforme vou agregando eu reduzo o risco consolidado”, explicou Zanfelice.

Nessa linha, também pode fazer sentido para a joint venture expandir a atuação para o segmento de linhas de transmissão de energia, uma vez que esses ativos geram retornos vistos como seguros e fluxo de caixa estável, acrescentou o executivo.

“Apesar de normalmente o retorno ser menor, porque o risco é menor, traz uma estabilização que, em um portfólio de renováveis e hidrelétricas, é uma boa combinação. Então transmissão não está descartado, a gente já olhou ativos de transmissão no passado”, disse Zanfelice.

Ele recusou-se a comentar quais oportunidades específicas a joint venture analisou no setor anteriormente, mas apontou que qualquer investimento inicial nessa nova área de negócios seria por meio da compra de uma empresa operacional de algum porte, e não via entrada em leilões do governo para novos projetos.

“Transmissão você tem que ter escala. Sempre olhamos em uma filosofia de partir primeiro de uma aquisição onde tivesse um tamanho mínimo para depois crescer organizadamente”, afirmou ele, ao destacar a forte competição em leilões do setor.

“Não faz sentido entrar sem ter uma plataforma. Olhamos algumas empresas e tem que ter uma escala. Não faz sentido ser uma empresa muito pequena, porque aí o crescimento é muito lento”, disse.

Apesar dessa estratégia, ele garantiu que tanto a Votorantim quanto os canadenses têm “visão de longo prazo” nos negócios em parceria no setor elétrico, que priorizam ativos renováveis e podem ainda envolver hidrelétricas caso surjam oportunidades.

SOLARES HÍBRIDAS

Para entrar em energia solar, a Votorantim e a CPPIB têm estudado a instalação de placas fotovoltaicas na área de suas usinas eólicas, o que permitiria reduzir custos com a implementação de estruturas de transmissão, por exemplo.

A empresa estima que seus parques eólicos em operação e em construção seriam suficientes para implantar entre 300 megawatts e 330 megawatts em empreendimentos solares, o que tornaria os ativos em parques “híbridos”, que combinam sol e vento, segundo Zanfelice.

Ele ressaltou, no entanto, que investimentos nessas usinas híbridas dependem de aprovação regulatória da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), uma vez que a legislação atual não permite que as usinas compartilhem as mesmas instalações de transmissão.

“Temos partido primeiro para solar buscando projetos híbridos porque tem otimização tanto de operação e manutenção quanto nos acessos à transmissão… mas estamos avaliando, sempre avaliamos também parques solares isolados, não deixamos de avaliar”, explicou o CEO.

Ele disse que a empresa está aberta tanto a aquisições quanto ao desenvolvimento de projetos solares próprios a partir do zero, conhecidos como “greenfield”.

Para tirar os empreendimentos do papel, a joint venture deve apostar principalmente em contratos de venda da produção futura das usinas no mercado livre de energia, onde grandes consumidores como indústrias podem negociar o suprimento de energia diretamente com geradores e comercializadoras.

Contratos de longo prazo com grandes empresas consumidoras para a energia dos parques também estão no radar como forma de tirar do papel os projetos solares.

(Por Luciano Costa)

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