Economia

ENTREVISTA-Transmissora Cteep mira ganhos com modernização de linhas e imóveis

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ENTREVISTA-Transmissora Cteep mira ganhos com modernização de linhas e imóveis
Logo da colombiana Isa, que controla a Cteep, fotografado em Medellín

17 de novembro de 2020 - 15:54 - Atualizado em 17 de novembro de 2020 - 15:55

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) – A transmissora de energia Cteep, controlada pelo grupo colombiano Isa, quer aproveitar a necessidade de modernização de redes elétricas no Brasil ao longo dos próximos anos para acelerar investimentos e ampliar receitas, disse à Reuters o presidente da companhia, Rui Chammas.

Ao mesmo tempo, a empresa contratou consultores para avançar em uma nova linha de negócios, que visa “monetizar” terrenos sob sua posse, muitos deles parcialmente ocupados por instalações de energia como subestações, acrescentou o executivo, que assumiu o cargo em janeiro. Em alguns casos, as áreas podem ser usadas após intervenções como enterramentos de fios.

Em paralelo a esses dois movimentos, a Cteep seguirá de olho em oportunidades de expansão via novos projetos de transmissão que sejam licitados pelo governo –incluindo em leilão programado para dezembro– e por meio de eventuais aquisições.

Nesse sentido, um dos negócios na mira é a venda pelo governo gaúcho de ativos de transmissão da elétrica local CEEE, admitiu Chammas, ao ser questionado sobre a operação.

A CEEE, que tem uma unidade de geração e transmissão, a CEEE-GT, já disse que essa subsidiária passará por uma cisão e separação dos ativos antes de ser submetida a um leilão de privatização previsto para meados de 2021.

“A gente está acompanhando o processo de privatização da CEEE… o que posso dizer é que, caso se materialize um leilão dessa empresa ‘T’ (com os ativos de transmissão) nós vamos analisar, como analisamos todas oportunidades de crescimento no mercado de transmissão”, afirmou Chammas.

“É uma empresa que a gente respeita, é um Estado com potencial de crescimento importante. Analisaremos com certeza.”

Ele destacou ainda que ativos de transmissão da CEEE têm características em comum com parte da rede da Cteep, que já teve a renovação de seu contrato de concessão no final de 2012.

REFORÇOS E MELHORIAS

Além de buscar aquisições e novos projetos, a Cteep quer ampliar aportes em reforços e melhorias –intervenções autorizadas sem licitação pela Aneel em ativos de transmissoras.

Nos primeiros nove meses de 2020, a empresa aportou 126 milhões de reais em obras como essas, salto de 75% ano a ano.

Mas há espaço para aumentar o ritmo, até devido à necessidade de troca de equipamentos antigos no sistema elétrico ou modernização de instalações, disse Chammas.

“Hoje percebemos uma grande oportunidade de responder a isso, de acelerar o processo de modernização de nossas linhas. Do ano passado para cá tivemos um crescimento de 75% e a gente continua se estruturando para fazer mais.”

Ele afirmou que a empresa espera atingir em breve uma “velocidade de cruzeiro” que a permitirá aplicar entre 400 milhões e 500 milhões de reais por ano nos reforços e melhorias.

No “front” dos novos projetos, a Cteep tem se preparado para disputar alguns dos lotes do próximo leilão da Aneel que oferecerá concessões para empreendimentos de transmissão de energia, em 17 de dezembro, disse Chammas, sem detalhar.

Ele comentou ainda que, apesar da intenção de crescimento, a Cteep não prevê mudar sua política de dividendos, de distribuição mínima de 75% do lucro regulatório.

NEGÓCIO IMOBILIÁRIO

O CEO da Cteep também pretende avançar em uma diversificação que passa pela exploração do ativo imobiliário da empresa.

A ideia é seguir modelo inaugurado em maio, quando a elétrica anunciou acordo com a prefeitura de São José dos Campos por terrenos na faixa de domínio de suas linhas na região. A operação envolveu 73,5 milhões de reais, a maior parte em créditos de IPTU no período até 2023.

“O valor venal dos imóveis que temos é muito alto, tem áreas nobres. Dois negócios liberaram mais de 70 milhões em resultado para a companhia, e negócios relativamente pequenos”, disse Chammas.

O objetivo é “destravar valor” para acionistas, acrescentou.

“O que fizemos agora foi selecionar dez áreas importantes que somam mais de 1 milhão de metros quadrados entre São Paulo e Vale do Paraíba, e contratamos consultores que estão nos apoiando para entender o potencial dessas áreas.”

Ele não quis comentar qual pode ser o ritmo de evolução dessas eventuais transações imobiliárias, que hoje estão sob responsabilidade da área de Novos Negócios da empresa.

“No momento adequado vou ter um time para cuidar disso, imagino. É um negocio completamente diferente”, apontou Chammas.

O executivo destacou, no entanto, que a viabilização de negócios não é simples, uma vez que envolve questões como a busca por potenciais parceiros e, em alguns casos, adequações para liberação de áreas, como enterramento de linhas.

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