Economia

Emprego formal desacelera em março com a criação de 184.140 vagas

Reuters
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Emprego formal desacelera em março com a criação de 184.140 vagas
Homem com carteira de trabalho em São Paulo (SP)

28 de abril de 2021 - 15:11 - Atualizado em 28 de abril de 2021 - 15:15

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) – A criação de vagas formais de trabalho desacelerou em março e os requerimentos ao seguro-desemprego atingiram o maior patamar em oito meses, movimento que coincidiu com o recrudescimento da pandemia da Covid-19 no país, mostraram dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Economia.

O governo afirmou que o emprego formal pode sofrer impacto da pandemia da Covid também em abril, mas destacou que a reedição do programa BEm, oficializada na terça-feira por uma medida provisória, deve amortecer esse efeito.

O Brasil abriu 184.140 vagas formais de trabalho no mês passado. O resultado foi bem superior ao registrado em março de 2020, quando a economia do país fechou 276.350 postos com carteira assinada, mas representou uma desaceleração em relação aos dois primeiros meses deste ano.

Em fevereiro, o país abriu 395.166 vagas com carteira assinada, segundo dado revisado, de 401.639 vagas informadas originalmente. Em janeiro, foram criados 257.768 postos.

O setor de serviços, um dos mais abalados pela pandemia, liderou a criação de empregos no mês passado, com 95.553 postos, o que foi comemorado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. A indústria respondeu pela criação de 42.150 vagas, seguida pela construção (25.020) e o comércio (17.986). Todos os Estados tiveram criação líquida de empregos.

“O setor de serviços foi o grande destaque”, disse Guedes. “O último setor da economia que estava no chão se levantou, e a economia brasileira segue criando novos empregos”, acrescentou, ressaltando que o estoque geral de empregos formais está acima do verificado no pré-pandemia.

O emprego formal foi protegido durante a crise da pandemia no ano passado por programa do governo que ofereceu complementação de renda a trabalhadores que tivessem seus contratos de trabalhos temporariamente suspensos ou sofressem redução de jornada e salários.

O governo anunciou na terça-feira a reedição do programa, denominado BEm, por um período de quatro meses e ao custo estimado de 9,98 bilhões de reais, que serão viabilizados por meio de crédito extraordinário, fora da meta fiscal e da regra do teto de gastos. O valor será suficiente para preservar 4,8 milhões de empregos, segundo o Ministério da Economia.

O secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo, disse em entrevista coletiva que a MP prevê a possibilidade de prorrogação do BEm para além de quatro meses, mas que isso só poderá ser feito se houver disponibilidade de recursos orçamentários.

“A disponibilidade que existe no momento são os 9,8 bilhões (de reais), mas nós entendemos que isso será mais do que suficiente para enfrentar os desafios da Covid daqui para frente”, afirmou, ressaltando que a expectativa é de aceleração da vacinação.

Em março, 586.205 brasileiros requereram o seguro-desemprego, o maior número desde junho do ano passado (653.175).

“Não há dúvida que o novo BEm reduz, sim, a utilização do seguro-desemprego”, disse o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, acrescentando que isso representará uma economia para o governo.

(Com reportagem adicional de Luana Maria Benedito)

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