Economia

Cosan cancela IPO da Compass devido às condições do mercado

Reuters
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Cosan cancela IPO da Compass devido às condições do mercado
Logo da Cosan em painel na bolsa paulista B3

28 de setembro de 2020 - 16:58 - Atualizado em 28 de setembro de 2020 - 17:00

SÃO PAULO (Reuters) – A Cosan anunciou nesta segunda-feira que solicitará o cancelamento do pedido de registro para oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de sua controlada Compass Gás e Energia, citando “a deterioração das condições de mercado”.

O grupo de energia e infraestrutura tinha solicitado no fim de julho aval da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o IPO da Compass, numa operação que deveria ser precificada nesta segunda-feira e que poderia movimentar quase 4,4 bilhões de reais.

“A companhia manterá o mercado atualizado a respeito dos desenvolvimentos relacionados aos temas aqui descritos”, disse a Cosan no fato relevante em que anunciou a decisão, assinado pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Marcelo Eduardo Martins.

Para concretizar o IPO, uma pessoa familiarizada com o assunto disse que a Compass teria que reduzir o piso da faixa indicativa para a operação, estabelecida entre 25,50 reais e 31,50 reais. Mas a Cosan preferiu cancelar os planos e possivelmente retomá-los no final deste ano, acrescentou a fonte.

Segundo comunicados anteriores divulgados ao mercado, os papéis da Compass passariam a ser negociados no Novo Mercado da B3 em 30 de setembro, em transação que envolveria a distribuição primária de 117.647.060 ações ordinárias, com possibilidade de papéis suplementares e adicionais.

No início de agosto, quando o registro para IPO da Compass foi realizado, a empresa afirmou que planejava levantar capital para adquirir empresas e participar de privatizações, visando também o fortalecimento de sua posição de caixa.

A Compass, criada em março do ano passado, engloba os negócios da Cosan em gás, incluindo a distribuidora Comgás.

De acordo com o prospecto preliminar da oferta, a companhia teve receita de 4 bilhões de reais e lucro líquido de 508,5 milhões de reais no primeiro semestre deste ano.

As primeiras menções concretas ao IPO da controlada haviam ocorrido no início de julho, quando a Cosan anunciou a simplificação de sua estrutura societária em uma única holding e citou a possibilidade de listagem da companhia, bem como das subsidiárias Moove e Raízen.

A ação da Cosan operava em queda de 2,3% por volta das 16h55.

(Por Aluísio Alves, Carolina Mandl e Gabriel Araujo)

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