Economia

Clima frio prejudica gastos do consumidor dos EUA, inflação é fraca

Reuters
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Clima frio prejudica gastos do consumidor dos EUA, inflação é fraca
Chinatown, na cidade de Nova York

26 de março de 2021 - 11:18 - Atualizado em 26 de março de 2021 - 11:20

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) – Os gastos do consumidores nos Estados Unidos caíram à maior taxa em dez meses em fevereiro, uma vez que o clima frio afetou muitas partes do país e o impulso de uma segunda rodada de cheques de estímulo perdeu força, embora o declínio deva ser temporário.

Os gastos dos consumidores, que respondem por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, caíram 1,0% no mês passado depois de se recuperarem 3,4% em janeiro, informou o Departamento do Comércio nesta sexta-feira.

Essa foi a maior queda desde abril de 2020, quando a economia estava se recuperando do fechamento de estabelecimentos não essenciais, como restaurantes, para desacelerar a disseminação de infecções por Covid-19.

A renda pessoal despencou 7,1% depois de saltar 10,1% em janeiro. Economistas consultados pela Reuters projetavam queda de 0,7% dos gastos dos consumidores em fevereiro e recuo de 7,3% da renda.

O tempo excepcionalmente rigoroso na segunda metade de fevereiro nos Estados Unidos, incluindo fortes tempestades de inverno no Texas e em outras partes da densamente povoada região Sul, prejudicou a construção de casas, a produção nas fábricas e os pedidos e embarques de produtos manufaturados no mês passado.

Mas a atividade deve se recuperar em março em meio ao clima mais quente, o pacote de resgate de 1,9 trilhão de dólares da Casa Branca e o aumento das vacinações contra o coronavírus.

O enorme pacote de auxílio diante da pandemia aprovado este mês está enviando cheques adicionais de 1.400 dólares para famílias qualificadas e estendendo a rede de ajuda do governo para os desempregados até 6 de setembro. O governo dos EUA informou na quinta-feira que os novos pedidos de auxílio-desemprego caíram para uma mínima em um ano na última semana.

O declínio nos gastos do consumidor no mês passado ocorreu de forma generalizada, com quedas acentuadas nas compras de produtos farmacêuticos e produtos recreativos. Os gastos com bens caíram 3,0%, após alta de 8,4% em janeiro.

Os gastos com serviços aumentaram 0,1%, após alta de 0,9% em janeiro. Os consumidores gastaram mais com serviços públicos e cuidados com saúde em hospitais, mas reduziram as refeições fora de casa.

Com a demanda fraca, a inflação recuou no mês passado. Mas os preços devem acelerar a partir de março devido à reabertura mais ampla da economia e à exclusão das leituras fracas do ano passado dos cálculos, bem como à política fiscal e monetária bastante acomodatícia.

O índice PCE, excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, subiu 0,1%, após alta de 0,2% em janeiro. No acumulado de 12 meses até fevereiro, o chamado núcleo do PCE saltou 1,4%, após alta de 1,5% em janeiro. O núcleo do índice PCE é a medida de inflação preferida do Fed para sua meta de 2%, uma média flexível.

Quando ajustados pela inflação, os gastos do consumidor caíram 1,2% no mês passado, após salto de 3,0% em janeiro. A queda nos chamados gastos reais do consumidor em nada diminuiu o entusiasmo com o crescimento econômico no primeiro trimestre, com uma reversão abrupta prevista para os próximos meses.

A previsão é de que a economia norte-americana cresça até 7,5% neste trimestre, após expansão de 4,3% no quarto trimestre do ano passado. O crescimento deste ano pode chegar a 7%, o que seria o mais rápido desde 1984. A economia dos Estados Unidos teve contração de 3,5% em 2020, seu pior desempenho em 74 anos.

A renda foi deprimida no mês passado por uma redução nas transferências do governo. Os salários ficaram estáveis. A taxa de poupança caiu para 13,6%, ainda alta, ante 19,8% em janeiro.

(Reportagem de Lucia Mutikani)

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