Economia

Chefe do FMI apela por ação forte do G20 para reverter “divergência perigosa” na economia global

Reuters
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Chefe do FMI apela por ação forte do G20 para reverter “divergência perigosa” na economia global
Diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva

24 de fevereiro de 2021 - 12:52 - Atualizado em 24 de fevereiro de 2021 - 12:55

WASHINGTON (Reuters) – O G20 deve tomar medidas fortes para reverter uma “divergência perigosa” que ameaça deixar a maioria das economias em desenvolvimento definhando por anos, disse a chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) em um blog nesta quarta-feira.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que “uma colaboração internacional muito mais forte” é necessária para acelerar a distribuição de vacinas contra a Covid-19 nos países mais pobres, incluindo financiamento adicional para ajudá-los a comprar doses e realocar o excedente de vacinas de alguns mercados para outros com déficit.

O FMI projetou recentemente que a economia global vai crescer 5,5% neste ano e 4,2% em 2022, mas Georgieva alertou que as perspectivas permanecem incertas, citando preocupações sobre as mutações do coronavírus e distribuição lenta de vacinas na maior parte do mundo.

“Será uma ascensão longa e incerta”, escreveu ela em um blog que acompanha o relatório de supervisão do FMI preparado para a reunião de sexta-feira entre autoridades de finanças do G20, instando-os a tomar medidas para evitar o que ela chamou de “Grande Divergência”.

“Há um grande risco de que, à medida que as economias avançadas e alguns mercados emergentes se recuperem mais rapidamente, a maioria dos países em desenvolvimento definhem nos próximos anos”, disse ela. “Se quisermos reverter essa divergência perigosa entre os países e dentro deles, precisamos tomar medidas fortes agora.”

No final de 2022, o FMI estima que a renda per capita cumulativa ficará 22% abaixo das projeções pré-crise nos países emergentes e em desenvolvimento, exceto a China, em comparação com 13% nas economias avançadas e 18% nos países de baixa renda.

O FMI também está vendo um distanciamento acelerado dentro dos próprios países, com a perda de empregos atingindo jovens, pouco qualificados, mulheres e trabalhadores informais de maneira desproporcional, enquanto milhões de crianças enfrentam interrupções na educação.

Acabar com a pandemia mais rapidamente acrescentaria 9 trilhões de dólares à economia global até 2025, com cerca de 4 trilhões de dólares indo para as economias avançadas, superando “de longe” qualquer custo relacionado à vacina, disse ela.

Além de iniciativas para acelerar as vacinações, Georgieva disse que a capacidade de produção dos imunizantes deve ser significativamente ampliada para 2022 e além, e os formuladores de política devem considerar oferecer garantias aos fabricantes de vacinas contra riscos de superprodução.

Ela pediu apoio fiscal continuado e direcionado por parte dos governos do G20 para apoiar as economias e disse que os bancos centrais devem manter políticas monetárias e financeiras acomodatícias para sustentar o fluxo de crédito para famílias e empresas.

Mas ela alertou que o apoio continuado à política monetária havia levantado “preocupações legítimas sobre consequências não intencionais, incluindo excessiva tomada de risco e exuberância do mercado”.

Os países do G20 também devem aumentar o suporte a nações vulneráveis ​​por meio de financiamento adicional com condições facilitadas, ao mesmo tempo que alavancam o financiamento privado por meio de instrumentos mais fortes de compartilhamento de risco e continuam a trabalhar no alívio da dívida, disse Georgieva.

Ela afirmou que uma nova alocação da moeda do FMI –os chamados Direitos Especiais de Saque (SDRs, na sigla em inglês)– aumentaria substancialmente a liquidez dos países sem elevar o peso da dívida. Também iria expandir a capacidade de nações doadoras de fornecer novos recursos.

A Itália, que preside o G20 neste ano, está pressionando por uma alocação de 500 bilhões de dólares, um movimento apoiado por França, Alemanha e outros grandes países.

Os Estados Unidos se opuseram a tal movimento no governo do ex-presidente Donald Trump, mas ainda não comunicaram uma posição firme sobre uma nova alocação de SDRs sob o governo do presidente Joe Biden.

(Por Andrea Shalal)

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