Economia

BCE não pode corrigir as causas das taxas negativas, diz Schnabel

Reuters
Reuters
BCE não pode corrigir as causas das taxas negativas, diz Schnabel
Isabel Schnabel, membro da diretoria do BCE

26 de agosto de 2020 - 10:21 - Atualizado em 26 de agosto de 2020 - 10:25

Por Balazs Koranyi

FRANKFURT (Reuters) – Os efeitos colaterais da política monetária de taxas de juros negativas do Banco Central Europeu crescerão com o tempo, mas corrigir os problemas estruturais que mantêm as taxas baixas vai além do mandato do banco, disse Isabel Schnabel, membro da diretoria do BCE.

O BCE reduziu a taxa de depósito para território negativo em 2004, mas a manteve negativa muito abaixo do esperado e os mercados não esperam um retorno a território positivo na próxima década.

“Como com outras medidas de política monetária não convencionais, os efeitos colaterais provavelmente aumentarão com o tempo se o ambiente de taxas de juros negativas persistir por muito tempo”, disse Schnabel em discurso nesta quarta-feira.

Mas Schnabel também minimizou esses riscos, como baixa lucratividade bancária e tomada de risco excessiva, argumentando que os resultados têm sido extremamente positivos até agora e que o BCE ainda não atingiu o limite efetivo de cortes de juros.

“Há uma incerteza considerável quanto ao nível preciso da ‘taxa de reversão’ e as estimativas atuais sugerem que o BCE não atingiu o limite inferior efetivo”, disse Schnabel em uma conferência online organizada pelo Congresso da Associação Econômica Europeia, um órgão de acadêmicos.

Mas ela também argumentou que, embora o BCE tenha limitado os efeitos colaterais ao fornecer compensação aos bancos pelas taxas punitivas, a resolução dos problemas estruturais vai além da função do banco.

As baixas taxas refletem fundamentos estruturais fracos, incluindo baixo crescimento da produtividade, uma taxa de poupança mais elevada e o envelhecimento da população da Europa, levando a um declínio de 20 anos no que é considerado a taxa de juros neutra.

“Uma vez que as taxas negativas refletem amplamente as tendências macroeconômicas adversas fora do mandato dos bancos centrais, uma resposta de política econômica vigorosa dos governos à pandemia é indispensável para aumentar o crescimento potencial, abrindo caminho para taxas de juros positivas no futuro”, disse Schnabel.

(Reportagem de Balazs Koranyi)

tagreuters.com2020binary_LYNXMPEG7P14F-BASEIMAGE

Informamos aos nossos visitantes que nosso site utiliza cookies. Ao usar nosso site, você concorda com nossos Termos de Uso. A maioria dos navegadores aceita cookies automaticamente. Para ver quais cookies utilizamos, acesse nossa Política de Privacidade.