Economia

BC eleva a 4,6% projeção para crescimento do PIB em 2021

Reuters
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BC eleva a 4,6% projeção para crescimento do PIB em 2021
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

24 de junho de 2021 - 15:34 - Atualizado em 24 de junho de 2021 - 15:35

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) – O Banco Central elevou sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 para 4,6%, ante 3,6% estimados em março, citando o resultado melhor do que o esperado no primeiro trimestre do ano e os indicadores disponíveis para o trimestre corrente.

“Adicionalmente, recuperação parcial da confiança dos agentes econômicos, medidas de preservação do emprego e da renda, prognóstico de avanço da campanha de vacinação, elevados preços de commodities e efeitos defasados do estímulo monetário indicam perspectivas favoráveis para a economia”, afirmou o BC em seu mais recente Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira.

O documento destaca, contudo, que o ritmo de crescimento ainda enfrenta bastante incerteza e cita como principais riscos a disseminação de novas variantes do coronavírus, custos elevados em algumas cadeias produtivas e eventuais implicações da crise hídrica.

A nova projeção do BC para o PIB segue abaixo da estimativa do mercado de crescimento de 5%, segundo a mais recente pesquisa Focus feita com analistas econômicos. Em entrevista à imprensa para comentar o relatório, o diretor de Política Econômica, Fabio Kanczuk, disse que o mercado prevê um segundo semestre mais forte do que o esperado pela autoridade monetária.

O nosso é um belo número, mas o mercado está mais pujante”, disse Kanczuk.

A revisão da projeção para o PIB foi determinada principalmente pela melhora dos prognósticos para o setor de serviços, cujo crescimento é estimado agora em 3,8%, ante 2,8% em março. As previsões para o desempenho da agropecuária e da indústria sofreram ajustes menores –respectivamente de +2% para +2,5% e de +6,4% para +6,6%.

Do ponto de vista da demanda, houve alta na previsão para o consumo das famílias, de 3,5% para 4,0%, e para a formação bruta de capital fixo (FBCF, uma medida de investimento), de 5,1% para 8,1%. Os ajustes, segundo o BC, repercutiram elevação do carregamento estatístico após os resultados do primeiro trimestre.

INFLAÇÃO

Sobre a política monetária, o BC repetiu no documento as considerações feitas em sua reunião do Copom da semana passada, quando a taxa Selic foi elevada em 0,75 ponto percentual, para 4,25%. O texto reitera que, para a próxima reunião, o Copom antevê outra alta de 0,75 ponto percentual, mas que uma deterioração das expectativas de inflação pode exigir um aperto maior.

As projeções para a inflação do RTI estão em linha com as divulgadas no comunicado do Copom, com o cenário-base apontando IPCA de 5,8% em 2021 e de 3,5% para o próximo ano.

Para o curto prazo, o BC informou que sua projeção é de inflação de 0,62% em junho, 0,39% em julho e 0,26% em agosto, acumulando alta de 1,28% no trimestre (+8,50% em 12 meses).

Kanczuk afirmou que o chamado hiato do produto, uma medida da ociosidade da economia, está negativo em 2,5% no segundo trimestre deste ano, segundo estimativa do BC, e a projeção é que ele chegue próximo a zero em 2022. Questionado em que trimestre que isso ocorreria, o diretor afirmou que não comentaria.

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