Direto do Grupo RIC

“Doutor Mário” é lembrado como pai e avô amoroso, conselheiro político e homem de bem

Familiares e amigos se despediram do empresário Mário José Gonzaga Petrelli em velório e seputalmento em Florianópolis, Santa Catarina

Gabriel
Gabriel Azevedo com informações do portal NDMais
“Doutor Mário” é lembrado como pai e avô amoroso, conselheiro político e homem de bem
(Foto: Divulgação)

23 de abril de 2020 - 00:00 - Atualizado em 23 de abril de 2020 - 00:00

Familiares, amigos, autoridades, empresários e colaboradores se despediram nesta quinta-feira (23) do fundador e presidente emérito do Grupo RIC e do Grupo ND, Mário José Gonzaga Petrelli, em velório realizado na Capela do Divino Espírito Santo, no Centro, seguido de féretro e sepultamento no cemitério São Francisco de Assis, no Itacorubi, em Florianópolis, Santa Catarina.

Um dos empresários mais bem sucedidos no país, “doutor Mário” foi lembrado como pai de família, avô amoroso, amigo leal, conselheiro político, conciliador de pessoas, divertido, brincalhão, e do bem, entre outras qualidades que orgulham familiares, amigos e aqueles que tiveram a chance de conhecê-lo.

O velório foi realizado na capela do Divino Espírito Santo, a pedido de Mário Petrelli. A vontade estava declarada em carta redigida em 18 de junho de 2018 e que foi entregue aos filhos no dia de morte do empresário pela secretária Telma Pereira, guardiã do documento.

Dezenas de coroas de flores enviados por amigos enfeitavam a capela para se solidarizar à família. O ex-senador Paulo Bauer foi um desses amigos que o doutor Mário fez, como importante ator da política nacional. “Como empresário teve grande sucesso, mas ele foi principalmente um dos mais atuantes e brilhantes conselheiros dos governadores de Santa Catarina”, revelou.

Quando estava no Senado Federal, Bauer lembra de uma reunião com Petrelli que sugeria uma lei para beneficiar a Terceira Idade. “Na época, era o governo da Dilma (Roussef), que tinha uma política de assistência diferente, com o bolsa família e outros auxílios, mas ele estava preocupado com os idosos, ou seja sempre tinha uma outra visão”, recordou.

Atencioso, disposto a ouvir todos. Essa também foi uma das principais características lembradas pelos amigos. O presidente da ACAERT (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão), Silvano Silva salientou essa capacidade.

“É muito difícil ter palavras para descrever o doutor Mário. Ele tinha uma preocupação com detalhes das pessoas. Ele ligava no dia seguinte para saber como estava, sempre tinha uma palavra de ânimo e colocava as pessoas para cima. Uma figura raríssima, difícil de encontrar”, declarou.

Diversas autoridades prestaram as últimas homenagens ao empresário no velório, entre eles o ex-governadores Eduardo Pinho Moreira e Esperidião Amin, atual senador. Definindo Mário Petrelli como “cosmopolita”, diante da capacidade de conhecimento que o empresário tinha, Amin disse que Petrelli deixa duas lições: “a esperança e a coexistência entre os diferentes”.

O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, também esteve no velório para se solidarizar com os familiares. “Ele foi um grande empreendedor, que sempre se destacou pela postura ética, pela capacidade de relacionamento e inteligência”, definiu.

O presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Júlio Garcia, ressaltou o carisma do empresário. “Tive a felicidade de poder conviver com o Mário Petrelli. Ele era um líder e ajudava as pessoas. Mais do que conselheiro, ele era um conciliador, um otimista por excelência. Não conheço uma pessoa que tenha mais amigos do que ele”, afirmou.

Com forte ligação através de Jorge Bornhausen e Paulo Konder Bornhausen, amigos próximos do doutor Mário, o ex-deputado federal Paulinho Bornhausen falou sobre o carinho que a família tinha com o empresário.

“É uma amizade de família de mais de meio século. O Mário sempre tinha uma opinião certa e um ombro amigo. Sempre foi uma pessoa disponível para entender os outros, isso agregava as pessoas”, descreveu, emocionado.

O padre Vilson Groh iniciou a missa de corpo presente lembrando da ligação religiosa do Doutor Mário, que frequentava a Igreja de São Sebastião.

“Seu Mário nunca perdeu uma eucaristia”, disse.

Groh também relatou que conheceu Petrelli pela primeira vez quando o empresário subiu o Morro do Mocotó para conhecer um dos projetos do Instituto Padre Vilson Groh, e pela última vez, na nova praça do Monte Serrat, onde conversaram por duas horas sentados em um banco, sobre assuntos como segurança e a importância de gerar oportunidades para a juventude.

“A raiz do Mário é uma raiz de fé e ele, em algum momento, se sentiu tocado por Deus e construiu seus valores”, declarou Groh, acrescentando ainda que o empresário era devoto de Nossa Senhora.

Após a missa de corpo presente, a viúva Monica Barusso Buffara Petrelli e os filhos Marcello, Leonardo e Mário também fizeram as últimas homenagens. Com a voz embargada pela emoção, Marcello leu parte da carta escrita em 2018 e que foi entregue aos filhos na véspera.

Para Leonardo Petrelli Neto, o momento era de gratidão.

“Em nome da nossa família, quero agradecer as centenas de manifestação que chegaram, dos mais diversos lugares, de tantos amigos. O pai era uma figura inspiradora, nos ajudou e construiu a sua família, um homem generoso, do bem, ajudava as pessoas. Era um homem que torcia pela vida. Ele deixa para nós um legado tremendo, uma visão de mundo, de cidadania. Um exemplo de vida, dedicação e amor ao próximo”, definiu.

Com a responsabilidade de quem herdou o nome, o filho Mário José relatou diversas facetas do pai, como a capacidade de cultivar amigos, e o jeito brincalhão com a família.

“Eu tenho o mesmo nome dele e isso me trouxe responsabilidade, não para ser o que foi, mas pelas qualidades que ele tinha. Ele estava sempre com ouvido aberto para atender às pessoas, mas ele não atendia por atender, ele atendia pois percebia que poderia ajudar, fazer bem aquela pessoa. Isso trouxe para ele um batalhão de gratidão e ele soube construir uma rede”, relatou.

O jeito brincalhão é uma das facetas recordadas pelo filho. “Ele era um cara muito divertido. Prazer dele era ganhar beijo dos netos. Fazia brincadeira, todo dia 1º de abril tinha uma. Não digo que perdi o pai. Eu sempre vou tê-lo”, conta. Os famíliares já acompanhavam de perto a batalha que o empresário travava contra as dores no joelho. “Nos últimos anos ele já não conseguia fazer o que mais gostava, que era visitar os amigos, mas ele não reclamava.”, completou Mário José.

Após o velório, na saída da Capela do Dívino Espírito Santos, o caixão foi saudado com toque militar fúnebre executado por um policial militar e cortejo fúnebre seguiu para o cemitério São Francisco de Assis, no bairro Itacorubi, com auxílio de patrulheiros da PMRv (Polícia Militar Rodoviária Estadual), onde familiares e amigos próximos prestaram as últimas homenagens.