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Doria pede senso de urgência da Anvisa em análise de teste da ButanVac

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Doria pede senso de urgência da Anvisa em análise de teste da ButanVac
Governador de São Paulo, Joao Doria

28 de abril de 2021 - 15:49 - Atualizado em 28 de abril de 2021 - 15:51

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), pediu nesta quarta-feira que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha solidariedade e senso de urgência no pedido feito pelo Instituto Butantan para realização de testes clínicos com a potencial vacina contra Covid-19 ButanVac.

“Deixo aqui um registro para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária tenha o senso de urgência para a aprovação da testagem e aprovação desta vacina”, disse Doria em entrevista coletiva na sede do Butantan, um dia depois de a Anvisa suspender o prazo de análise do pedido de testes da ButanVac alegando a falta de documentos que deveriam ter sido entregues pelo instituto.

“Menos burocracia e mais solidariedade, é o que nós esperamos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Seguir os critérios científicos, sim, mas lembrar que nós estamos diante de uma pandemia, de um drama jamais visto, jamais presenciado em nosso país”, acrescentou.

Doria também anunciou na coletiva que o Butantan começou a produzir doses da ButanVac e que o início da aplicação do imunizante dependerá dos testes, e posterior autorização do órgão regulador para aplicação do imunizante na população.

De acordo com o governador, no mínimo 40 milhões de doses da ButanVac serão produzidas neste ano, mas a capacidade do Butantan pode superar as 100 milhões de doses a partir da aprovação da vacina pela Anvisa.

Também presente na coletiva, o presidente do Butantan, Dimas Covas, explicou que a ButanVac, que se baseia em uma tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos, será 100% produzida no Brasil, sem necessidade de importação de insumos e em uma fábrica do Butantan que já existe e que é responsável atualmente pela produção da vacina contra a gripe.

Sobre os questionamentos feitos pela Anvisa, o presidente do Butantan disse que a equipe do instituto está trabalhando nas respostas e que a fábrica onde será produzida a ButanVac já tem certificado de boas práticas concedido pelo órgão regulador. Ele cobrou agilidade da Anvisa na análise.

“O que nós queremos da Anvisa é urgência nas suas exigências. O processo original foi submetido no dia 26 de março. Muitas das questões que vieram são relativas ao processo produtivo e não ao estudo clínico, portanto, já poderiam ter sido solicitadas. É isso que queremos da Anvisa: agilidade”, disse Covas.

“Para isso eles estão lá. Para isso eles são contratados. Para isso eles são pagos. No momento de pandemia, queremos celeridade. Estamos do lado de cá prontos para responder qualquer pergunta, qualquer questionamento da forma mais transparente e rápida possível.”

CORONAVAC

Na mesma entrevista, Covas disse que o Butantan antecipará para sexta-feira a retomada das entregas de doses da CoronaVac ao Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, com o envio de 600 mil doses.

Na quarta-feira da próxima semana, mais um lote de 1 milhão de doses da CoronaVac será entregue ao PNI.

As entregas da vacina contra Covid-19 do laboratório chinês Sinovac que está sendo envasada pelo instituto haviam sido interrompidas devido ao atraso na chegada do insumo farmacêutico ativo (IFA) importado da China, o que impactou no envase das doses pelo instituto. O envase foi retomado com a chegada de IFA para 5 milhões de doses na segunda-feira da última semana.

Covas disse que o Butantan aguarda para a primeira quinzena de maio a chegada de um novo lote de IFA da China, inicialmente suficiente para mais 5 milhões de doses, mas que o instituto tenta ampliar a quantidade para 10 milhões de doses da vacina.

Ele reconheceu mais uma vez que o Butantan não entregará 46 milhões de doses da CoronaVac até 30 de abril como inicialmente previsto –a estimativa é que o total entregue até lá some 42 milhões de doses–, mas fez uma defesa enfática do instituto.

Lembrou que a CoronaVac responde atualmente pela esmagadora maioria das doses de vacinas contra Covid-19 sendo aplicadas no Brasil e disse que o Butantan adiantará a entrega da segunda parte do contrato com o ministério, que prevê a entrega de 54 milhões de doses da CoronaVac até setembro.

Até o momento, o Butantan entregou 41,4 milhões de doses da CoronaVac ao PNI, enquanto as entregas de doses da outra única vacina sendo aplicada no Brasil até o momento, a da AstraZeneca, somam 20 milhões de doses.

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