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Dólar tem leve queda ante real após dados de inflação dos EUA

Reuters
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Dólar tem leve queda ante real após dados de inflação dos EUA
Funcionário do banco Korea Exchange conta cédulas de cem dólares na sede da instituição, em Seul

10 de junho de 2021 - 17:25 - Atualizado em 10 de junho de 2021 - 17:26

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar teve leve queda contra o real nesta quinta-feira, mesmo após a divulgação de dados norte-americanos de inflação mais altos do que o esperado, enquanto a perspectiva de aumento de juros no Brasil continuava sob os holofotes.

O dólar à vista cedeu 0,07% contra o real, a 5,0669 reais na venda. No decorrer do pregão, a moeda chegou a tocar 5,0329 reais na mínima, queda de 0,74%, e 5,0930 na máxima, alta de 0,45%.

Na B3, o dólar futuro de maior liquidez ganhava 0,14%, a 5,0800 reais.

O grande “driver” dos mercados nesta quinta-feira foi um relatório do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgado pela manhã. Os dados mostraram que o índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 0,6% no mês passado, após alta de 0,8% em abril, que havia sido a maior taxa desde junho de 2009.

Nos 12 meses até maio, o índice acelerou a 5,0%, maior alta anual desde agosto de 2008, que veio após ganho de 4,2% em abril. Economistas esperavam alta do índice de 0,4% em maio e de 4,7% em 12 meses.

“A inflação norte-americana veio levemente acima do esperado, mas não foi uma surpresa muito grande”, disse à Reuters Mauro Morelli, estrategista da Davos Investimentos, destacando que a alta foi puxada principalmente pelas classes de ativos que têm acelerado com a reabertura econômica, após inatividade durante momentos piores da pandemia.

“O que chamou a atenção é que o mercado cada vez mais está comprando a ideia de uma inflação passageira, alinhada ao discurso do Federal Reserve.”

Embora alguns funcionários do banco central norte-americano já tenham começado a reconhecer que estão mais próximos de um debate sobre quando retirar parte de seu estímulo, várias autoridades afirmaram repetidas vezes que enxergam as pressões inflacionárias como temporárias, o que justificaria a manutenção de seu estímulo à economia.

Morelli explicou que a perspectiva de manutenção da política monetária acomodatícia nos EUA, combinada à tendência de elevação de juros no ambiente doméstico, é benéfica para o real. “O diferencial de juros começa a ficar mais atrativo para o Brasil, e fazia tempo que isso não acontecia”, afirmou.

Na quarta-feira que vem, tanto o Federal Reserve quanto o Banco Central do Brasil encerram seus encontros de política monetária de dois dias.

Por aqui, a expectativa é de elevação da taxa Selic a 4,25% ao ano, ante patamar atual de 3,5%.

Além do endurecimento da política monetária no Brasil, Morelli chamou a atenção para outro fator que, segundo ele, tem beneficiado o real: o bom desempenho econômico, que por sua vez tem levado a uma melhor percepção sobre a relação dívida/PIB.

Na segunda-feira, a pesquisa Focus do Banco Central mostrou que o mercado elevou com força a expectativa de crescimento econômico do Brasil em 2021 depois de dados melhores do que o esperado sobre a atividade divulgados na semana passada.

Até agora em 2021, o dólar acumula queda de aproximadamente 2,4% contra o real.

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