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Dinheiro do tráfico bancava “salário” de integrantes de facção criminosa, diz PF

Reuters
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Dinheiro do tráfico bancava “salário” de integrantes de facção criminosa, diz PF
Viatura da Polícia Federal no Rio de Janeiro

31 de agosto de 2020 - 15:03 - Atualizado em 31 de agosto de 2020 - 15:05

Por Rodrigo Viga Gaier e Ricardo Brito

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) – Dinheiro ilícito obtido com o tráfico de drogas era canalizado para contas bancárias de passagem que tinham como destinatários finais integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), afirmou o coordenador da Operação Caixa Forte, Alexsander Castro, em entrevista coletiva nesta segunda-feira após uma megaoperação da Polícia Federal deflagrada para cumprir mais de 600 mandados de prisão e de busca e apreensão.

Na coletiva, o coordenador explicou que, durante a primeira fase da operação, foi identificado que parte dos recursos obtidos com o tráfico foi canalizado por uma espécie de ‘setor de ajuda’, com o objetivo de pagar uma espécie de salário para os membros da facção, especialmente os mais graduados.

“Esse dinheiro era canalizado para contas de passagem do PCC, que foram investigadas na Fase 1, e depois depositados nas contas dos beneficiários finais, o faccionados, que recebiam por meio de depósitos”, disse ele, na coletiva.

Ao todo, 1.100 policiais foram designados para cumprir mandados em 19 Estados e no Distrito Federal. Segundo os investigadores, foram apreendidos 6 milhões de reais em espécie nas buscas.

Os alvos são acusados de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Algumas das lideranças da facção, que atua em todo o país, dão ordens de dentro de prisões.

A 2ª Vara de Tóxicos de Belo Horizonte expediu 422 mandados de prisão preventiva e 201 mandados de busca e apreensão e ainda determinou o bloqueio judicial de até 252 milhões de reais dos envolvidos.

Os presos são investigados pelos crimes de participação em organização criminosa, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, cujas penas combinadas podem chegar a 28 anos de prisão.

“Foram identificados 210 integrantes do alto escalão da facção, recolhidos em presídios federais, que recebiam valores mensais por terem ocupado cargos de relevo na organização criminosa ou executado missões determinadas pelos líderes como, por exemplo, execuções de servidores públicos”, afirmou a Polícia Federal em nota.

As investigações apontaram ainda que contas de terceiros que não faziam parte da facção eram usadas para movimentar os recursos ilegais e tentar dar ar de legalidade ao dinheiro proveniente do tráfico de drogas.

“Os integrantes do grupo indicavam contas de terceiros não pertencentes à facção para que os valores, oriundos de atividades criminosas, ficassem ocultos e supostamente fora do alcance do sistema de Justiça criminal”, disse a PF.

“A atuação da Polícia Federal visa desarticular a organização criminosa por meio de sua descapitalização, atuando em conformidade com as diretrizes do órgão de enfrentamento à criminalidade organizada por meio da abordagem patrimonial, além da prisão de lideranças”, afirmou a corporação.

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