Notícias

Delegado e esposa dividiam o mesmo teto, mas não eram um casal há cerca de um ano

O delegado matou a esposa e a enteada com cerca de 9 tiros; segundo uma familiar, os dois aguardavam apenas a venda da residência para oficializar o divórcio

Caroline
Caroline Berticelli / Editora com reportagem de Tiago Silva da RIC Record TV, Curitiba
Delegado e esposa dividiam o mesmo teto, mas não eram um casal há cerca de um ano
Foto: Montagem/RIC Mais

5 de março de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:53

Maritza Guimarães de Souza, de 41 anos, assassinada pelo marido – o delegado Erik Busetti, de 45 anos – na noite desta quarta-feira (5) em Curitiba, vivia na mesma casa que o policial, mas segundo familiares, os dois já não eram um casal há pelo menos um ano. (Assista vídeo abaixo)

O delegado matou a esposa e a enteada com cerca de 9 tiros dentro do sobrado da família no bairro Santa Cândida. A casa que foi palco da tragédia, segundo uma prima de Maritza, era o único motivo pelo qual os dois ainda dividiam o mesmo teto

“Eles estavam morando na mesma casa ainda só que com separação de corpos há um ano e esperando pra vender o sobrado pra eles dividirem as despesas e cada um ir pro seu lado e oficializar o divórcio. […] Ela só falava que ele estava ajudando ainda com a meninas, levava e buscava da escola, e era esse o relacionamento que eles tinham, falavam só sobre as meninas, mais nada”, conta a mulher. 

Ela também ressalta que o delegado sempre aparentou ser uma boa pessoa, mas mesmo assim, a família incentivava Maritza a mudar logo de residência. “A gente sempre falava para ela sair logo da casaseparar logo, porque a gente nunca sabe a reação de uma pessoa, mas a princípio, ele é uma pessoa muito legal com a gente. Ele passou o Natal com a minha família, com as meninas porque ela [Maritza] estava trabalhando na Operação Verão”.

Emocionada, a familiar ainda conta que iria viajar com Maritza para o litoral na próxima sexta-feira (6).

“Nós íamos pra Santa Catarina amanhã fazer um passeio na casa de parentes. Ela era muito alegre, muito querida, ajudava a gente no que precisasse. Tinha um coração enorme. A família toda foi pega de surpresa, ninguém imaginava uma situação dessa”.

Assista à entrevista:

 

O crime

Maritza e a filha Ana Carolina de Souza, de 16 anos, foram encontradas mortas e abraçadas atrás do sofá da residência onde a família vivia no bairro Santa Cândida.

Pela cena do crime, tudo indica que a duas estavam assistindo um filme e comendo pipoca quando foram surpreendidas pelo delegado. Além disso, a arma de Maritza, que era escrivã da Polícia Civil, estava em outro cômodo da casa, de modo que ela não teve como se defender.

No momento do crime, estavam em casa a mulher, uma filha do casal de 8 anos e Ana Carolina. De acordo com a polícia, a criança dormia e acordou quando ouviu os tiros. Momento em que Busetti foi até o quarto, pegou a filha e levou a menina para a casa de vizinhos.

“Ouvi vários tiros, umas 23h45 da noite. Passou 5 minutos, o delegado saiu da casa dele com a filha já no colo. E aí começou a “bater nos vizinhos” [sic] pra deixar a filha dele menor. Ele já chegou e disse ‘fica com minha filha que eu fiz uma besteira’. Ele estava com a camisa toda rasgada, falou que entrou em luta corporal com ela, mas aí eu já não sei”, conta uma testemunha, que não quis se identificar.

Ele teria a intenção de tirar a própria vida, mas foi convencido a desistir pelos vizinhos. Na sequência, o próprio delegado ligou para a polícia, confessou o crime e esperou pela chegada dos policiais. Em resposta ao ser perguntado sobre a motivação dos assassinatos, ele respondeu com frieza “vocês não têm ideia do que eu estava passando”.

Um vizinho declarou que ouviu o casal discutindo pouco antes das vítimas serem assassinadas, enquanto outro afirmou que ouviu a adolescente gritar.

Uma ambulância do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) chegou a ser chamada, mas quando chegou ao local, mas mãe e filha já estavam mortas.