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Criança levada por criminoso ainda não sabe que família foi executada em Paranaguá

A princípio, acreditou-se que o menino de 7 anos havia presenciado os assassinatos do pai, da mãe e do avô

Caroline
Caroline Berticelli / Editora *com reportagem de William Bittar da RIC Record TV, Curitiba
Criança levada por criminoso ainda não sabe que família foi executada em Paranaguá
Foto: Reprodução/RIC Record TV

10 de fevereiro de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:52

O menino de sete anos que foi levado por um criminoso na noite em que seu pai, sua mãe e seu avô foram executados em Paranaguá, no litoral do Paraná, ainda não sabe que todos estão mortos. A informação é de uma de suas irmãs, que prefere não se identificar. 

A criança foi levada na madrugada deste sábado (8), quando todas as vítimas foram assassinadas na propriedade em que viviam, no distrito de Alexandra. Depois de apelos feitos nas redes sociais e da divulgação de sua fotografia, ela foi abandonada, ainda no sábado, em um trilho de trem às margens de uma rodovia

“O […] tinha sumido e já tínhamos olhado nos matos, no rio, alguns vizinhos saíram de barco, não viram nada. E no nosso coração, a gente entendia que a pessoa que fez a execução tinha levado ele. Daí quando nós fizemos umas movimentações nas redes sociais, toda Paranaguá compartilhou e nos ajudou em oração e quando foi entre 10h30 e 11h da  noite, o Conselho Tutelar ligou para nós irmãos, porque nós somos em quatro irmãos, o […] é o mais novo, e gente foi até ele”, conta a irmã.

Ainda conforme a familiar, o menino prestou depoimento à Polícia Civil e contou que foi levado da residência por um homem a quem se referiu como “tio”. “Ele relatou pra polícia que alguém foi lá, pegou ele de carro, levou, dormiu na casa da pessoa, tomou banho, comeu e quando a pessoa viu a movimentação ontem no Face, a pessoa trouxe ele de moto e, largou ele na BR, no escuro e falou ‘agora, você vá pra casa’ e o […], naquela escuridão, foi sem rumo até que viu uma casa com um luz e bateu”, explica. 

O crime

Amarildo Antônio da Silva, 56 anos, e Adriana Pereira dos Santos, 43 anos e Carlos da Silva, 76 anos, foram executados com golpes de facão

Segundo a investigação, o primeiro a ser morto foi o idoso que vivia em uma casa a poucos metros da residência do filho, no mesmo terreno. A polícia encontrou sinais de arrombamento na porta e acredita que a vítima foi surpreendida enquanto dormia, ele foi executado com um golpe único no pescoço

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Vizinhos avistaram marcas de sangue na frente da residência do casal e chamaram a polícia. (Foto: Reprodução/RIC Record TV)

Na sequência, os criminosos seguiram para casa do casal, onde estavam Amarildo, Adriana e o filho. A mulher foi morta na cozinha e as marcas em seu corpo – os dedos de uma das mãos foram cortados fora – indicam que ela tentou lutar com os assassinos. Amarildo estava no quarto e, de acordo com as evidências, tentou se esconder no banheiro, mas não conseguiu. 

De acordo com a mulher, o pai tinha algumas desavenças e chegou a ser preso em 2019. “A gente não tem ideia do que tenha acontecido, se foi alguma rixa que ele tinha fora dali, se era uma rixa com ele, qual é o porquê da execução da esposa com o meu avô ou se foi uma queima de arquivo. A gente crê que foi um acerto de contas ou algo parecido de alguém conhecido”, diz. 

Para a polícia, quem cometeu o crime é alguém conhecido das vítimas e dos animais de estimação de Amarildo. Já que todos os cachorros da propriedade foram amarrados na madruga quando tudo aconteceu, inclusive, um deles que sempre ficava solto. Além disso, nenhum vizinhou ouviu os animais latirem, o que teria ocorrido caso estranhos tivessem invadido a chácara.

“Foi alguém conhecido. Os cachorros são bem ariscos e para a pessoa ter entrado até lá e feito algo dessa forma, os cachorros conheciam, e o pitbull foi amarrado, ele sempre fica solto”, conta ainda a filha de Amarildo. 

Outro crime

Em outubro de 2019, um homem que Amarildo conheceu na prisão já havia sido morto na mesma chácara. Na ocasião, após sair da cadeia, ele pediu para ficar hospedado alguns dias na casa, mas acabou assassinado com um tiro na testa, depois que foi atender a um chamado a janela. No entanto, para a polícia, ainda não há indício de ligação entre os dois crimes. 

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