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CPI sinaliza convocar auditor que fez documento sobre mortes por Covid citado por Bolsonaro

Reuters
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CPI sinaliza convocar auditor que fez documento sobre mortes por Covid citado por Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro

8 de junho de 2021 - 20:33 - Atualizado em 8 de junho de 2021 - 20:35

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – A CPI da Covid do Senado sinalizou nesta terça-feira que vai convocar o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) que produziu um documento não-oficial do órgão que foi citado pelo presidente Jair Bolsonaro ao questionar o que seria um superdimensionamento do número de mortes por Covid-19 no Brasil.

Mesmo sem qualquer tipo de evidência, Bolsonaro chegou a contestar no ano passado os números de mortes pela doença causada pelo coronavírus no país, insinuando que Estados e municípios teriam interesses em inflar dados de mortes a fim de garantir mais recursos federais no enfrentamento à pandemia.

O Brasil registrou nesta terça 2.378 novos óbitos em decorrência da Covid-19, o que eleva o total de vítimas fatais da doença no país a 476.792, segundo dados do Ministério da Saúde. O país tem o segundo maior número de mortes pela doença no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Esse debate provocado pelo presidente voltou à tona na segunda quando ele disse que teria “em primeira mão” o que seria um relatório do TCU sobre o assunto que comprovaria a sua tese.

“Em primeira mão, não é meu, é do tal TCU. Questionando o número de óbitos ano passado por Covid. E aí o relatório final, não é conclusivo, mas em torno de 50% dos óbitos ano passado não foram por Covid”, disse Bolsonaro a apoiadores ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã de segunda.

Na tarde de segunda, entretanto, o TCU divulgou uma breve nota onde esclareceu que “não há informações em relatórios do tribunal que apontem que ‘em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid’, conforme afirmação do Presidente Jair Bolsonaro divulgada hoje”.

Já na manhã desta terça, Bolsonaro reconheceu o erro de sua declaração na véspera, mas insistiu que sejam verificadas as causas das mortes registradas como relacionadas à Covid-19.

“A questão do equívoco de ontem (segunda): o TCU está certo. Eu errei quando falei da tabela, o certo é acórdão”, disse o presidente também a apoiadores saindo do Palácio da Alvorada.

Ainda assim, Bolsonaro –novamente sem provas– disse que há “indícios enormes” de que houve sim uma supernotificação de mortes por Covid para que governadores conseguissem mais recursos. Ele defendeu uma apuração do assunto.

“A CGU (vai) fazer então um trabalho em cima disso daí. Está mais que … é um indício fortíssimo. Vocês devem ter visto muitos vídeos no WhatsApp de gente falando ‘meu pai meu avô, meu irmão, não morreu de Covid’. Botaram Covid por quê?”, questionou.

QUEBRA DE SIGILO

Na CPI, o senador Humberto Costa (PT-PE) disse ter apresentado um requerimento para convocar o auditor, destacando que ele seria amigo de pessoas próximas ao presidente e que o próprio TCU abriu uma investigação para apurar a conduta do servidor.

“Se é verdade isso aqui, ele fez uma coisa muito grave”, disse o petista.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), chegou a defender a quebra de sigilos telemático e telefônico do auditor para saber com quem ele se comunicou. Disse para fazer logo um “pedido completo” para votar na sessão administrativa da CPI que votará requerimentos na quarta-feira.

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