Coronavírus

Vacina BCG pode ser alternativa de proteção contra a covid-19

Desenvolvida por pesquisadores brasileiros, imunizante teria dupla proteção, contra tuberculose e covid-19; vantagem é que já tem a segurança testada

Guilherme
Guilherme Barchik Com informações do R7
Vacina BCG pode ser alternativa de proteção contra a covid-19
Foto: Divulgação.

30 de julho de 2020 - 06:54 - Atualizado em 30 de julho de 2020 - 06:56

Pesquisadores brasileiros estão estudando a possibilidade de usar a vacina BCG, que serve para combater a tuberculose, contra a covid-19 – o que daria proteção contra as duas doenças ao mesmo tempo. Isso seria possível graças a modificações genéticas feitas na bactéria utilizada para fabricar a vacina.

“Existem outras iniciativas para usar a BCG no combate de outras doenças infecciosas e, com a pandemia, a gente pensou em usar contra a covid-19”,

conta Sergio Costa Oliveira, coordenador da pesquisa e professor titular de imunologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A vacina ainda está na fase de produção em laboratório. “Estamos colocando os genes do coronavírus na bactéria usada na vacina BCG, para produzir o que se chama de ‘bactéria recombinante’, ou seja, geneticamente modificada”, explica o pesquisador.

De acordo com ele, a previsão é que os testes do imunizante em animais comecem até o final deste ano. Já os testes em humanos devem ter início no começo de 2021.

O projeto é feito em parceria com a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), o Instituto Butantan, em São Paulo, e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Doenças Tropicais (INCT-DT). Há ainda o apoio da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e do Instituto Karolinska, na Suécia.

Segura e capaz de ativar diferentes respostas imunes

Dentre as vantagens oferecidas por esta empreitada está o fato de que a BCG já é usada em vários países e, no Brasil, faz parte do Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde, por isso a segurança de que ela não causa efeitos colaterais já está comprovada. “A gente espera que, com isso, o processo regulatório seja acelerado”, pontua.

Outro diferencial é que a vacina será capaz de ativar a imunidade inata – as primeiras armas do organismo, que servem para combater qualquer agente invasor – e a imunidade adaptativa – que vai fornecer uma resposta personalizada para o novo coronavírus.

“A bactéria BCG estimula o sistema imunológico de maneira inespecífica. Ela é usada, por exemplo, na imunoterapia contra o câncer de próstata”. “A gente vai dar especificidade ao fazer com que ela produza proteínas [presentes no coronavírus]. Assim, ela vai estimular a fabricação de anticorpos neutralizantes e de linfócitos T [células de defesa que identificam e matam outras células infectadas]”

completa Oliveira.