Coronavírus

UEL participa de estudo que desenvolveu enxaguante bucal contra o coronavírus

O antisséptico vai ser usado individualmente ou em associação com spray nasal

Renata
Renata Nicolli Nasrala / Editora com informações da Agência de Notícias do Paraná
UEL participa de estudo que desenvolveu enxaguante bucal contra o coronavírus
Foto: divulgação AEN

26 de novembro de 2020 - 11:57 - Atualizado em 26 de novembro de 2020 - 11:57

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) participou do estudo que desenvolveu uma fórmula de enxaguante bucal contra o coronavírus que elimina 96% do Sars-CoV-2.

Além da UEL, também integraram a pesquisa a Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Ciências Biológicas da USP e o Instituto Federal do Paraná.

Mas o que seria o enxaguante bucal contra o coronavírus?

O enxaguante bucal contra o coronavírus trata-se do Detox Pro, e o estudo é coordenado pelo cirurgião-dentista Fabiano Vieira Vilhena, pesquisador da USP, que também coordena o Centro de Pesquisa e Inovação da empresa que desenvolveu o produto.

Conforme a professora Andrea Name Colado Simão, do Departamento de Patologia, Análises Clínicas e Toxicológicas do CCS, a participação da UEL ocorre em três etapas. 

  • Na primeira, pesquisadores da universidade comprovaram a eficácia do antisséptico bucal no Laboratório de Pesquisa em Imunologia Clínica. Foram analisadas amostras de saliva de pacientes que participaram da pesquisa clínica, realizada em outros centros de pesquisa.
  • A segunda etapa refere-se à realização de um estudo clínico, iniciado em outubro, que vai avaliar a eficácia do antisséptico bucal na carga viral em pacientes com diagnóstico de Covid-19 atendidos pelo setor de Moléstias Infecciosas do Hospital Universitário (HU/UEL).
  • A terceira etapa será avaliar como o antisséptico atua de forma preventiva em funcionários do HU, como enfermeiros, médicos e residentes. Essa fase está prevista para janeiro de 2021.

De acordo com Andrea, a experiência do laboratório foi fundamental na padronização da análise de detecção viral em amostras de saliva, assim como na agilidade dos resultados, possibilitando que o produto possa ser lançado ainda este ano. 

O antisséptico vai ser usado individualmente ou em associação com spray nasal.

“As pesquisadoras propuseram uma nova abordagem para avaliação da eficácia do produto aqui no HU de Londrina e irão analisar o efeito do antisséptico bucal não apenas em amostras de saliva, mas também em amostras coletadas com swab de naso-orofaringe”, explica a professora.

De acordo com ela, até o momento 23 pacientes  participaram do estudo e o produto tem sido bem aceito por eles, sem nenhum efeito colateral relatado.

Vantagens

Andrea Colado Simão afirma que o antisséptico apresenta como uma das vantagens ser administrado de forma tópica – ou seja, local – podendo reduzir a carga viral de Sars-CoV-2 e também a microbiota nasofaríngea.

“Isso melhora clinicamente o paciente infectado e reduz a contaminação do ambiente”, afirma.

Além disso, o pesquisador da USP Fabiano Vilhena, que coordena os estudos, afirmou que o antisséptico bucal elimina o vírus da Covid-19 em 96%, evitando a propagação para outras pessoas, e que as pesquisas foram aprovadas em Comitês de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, que estabelecem regras para o levantamento ético dos dados.

covid-19 no Paraná

Além disso, há registro no Clinical Trials da Organização Mundial de Saúde e Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos. Ao todo, foram dez estudos entre epidemiológicos, clínicos e estudos de caso controle.

Vilhena explicou que o vírus, ao entrar no organismo humano, percorre uma rota: ele vai para a glândula salivar, língua, amígdala e vias respiratórias.

“Inativar a transmissão da Covid-19 nas vias aéreas é uma das formas mais eficazes de não avançar a doença para as vias aéreas respiratórias inferiores”, destaca. “O antisséptico é capaz de bloquear o vírus na cavidade oral, impedindo que ganhe forças e avance para o restante do organismo”.

Participantes da UEL

Pela UEL, a coordenação dos trabalhos é da professora Audrey Alesandra Stinghen Garcia Lonni, do Departamento de Ciências Farmacêuticas, do Centro de Ciências da Saúde (CCS).

Também participam da pesquisa o professor Marcell Alysson Batisti Lozovoy, do Departamento de Patologia, Análises Clínicas e Toxicológicas; os professores Walton Luiz Del Tedesco Junior e Philipe Quagliato Bellinati, do Departamento de Clínica Médica; a médica infectologista Zuleica Naomi Tano; a mestranda Luiza Mara Venâncio, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas; a pós-doutoranda Nicole Perugini Stadtlober do Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Laboratorial; e os estudantes do curso de Medicina Guilherme Lerner Trigo e Pedro Luis Candido de Souza Cassela.

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