Coronavírus

Governo do Brasil não consegue comprar seringa

O Brasil ficou atrás de outros países latino-americanos na obtenção de vacinas contra a covid-19 e agora corre o risco de não ter seringas

Reuters
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Governo do Brasil não consegue comprar seringa
Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, conversa com presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de anúncio da operacionalização do plano de vacinação contra Covid-19 no Palácio do Planalto

31 de dezembro de 2020 - 10:09 - Atualizado em 31 de dezembro de 2020 - 10:45

O governo precisa oferecer preços mais realistas para seringas e agulhas se quiser garantir a vacinação em massa da população, alertou um representante dos fabricantes brasileiros do material nesta quarta-feira (30), após o fracasso de um pregão eletrônico.

O Brasil ficou atrás de outros países latino-americanos na obtenção de vacinas contra a covid-19 e agora corre o risco de não ter seringas suficientes quando as vacinas chegarem, disse um representante da indústria.

O governo tentou comprar 331 milhões de seringas em leilão na terça-feira, mas só conseguiu comprar 8 milhões, ou 2,5%, porque seus preços eram muito baixos, afirmou Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (Abimo).

“Os preços de referência definidos pelo governo não têm relação com a realidade das empresas de seringas”, disse Fraccaro por telefone. O Ministério da Saúde ofereceu 13 centavos por seringa quando as companhias pediam entre 22 e 48 centavos dependendo do item, afirmou ele.

Sozinho, o Estado de São Paulo já comprou 50 milhões de seringas e planeja comprar outras 50 milhões, o Brasil precisaria comprar cerca de 320 milhões de seringas que custariam no máximo 120 milhões de reais, disse Fraccaro.

A perspectiva de ficar sem seringas pode causar pânico no país ou levar a importações mais caras, segundo ele.

Fraccaro disse que não é possível produzir 330 milhões de seringas em 60 dias, mas lembrou que o país não vai precisar todo esse material de uma vez porque o processo de vacinação deve se estender até 2022.

Ele ressaltou ainda que não existe problema com a capacidade de produção. O Brasil tem três empresas que produzem seringas, segundo Fraccaro, e abastecem 1,4 bilhão de seringas ao ano ao mercado doméstico, cerca de 120 milhões por mês, incluindo 10 a 12 milhões que vaõ para o Programa Nacional de Imunização a cada mês.

Especialistas em saúde pública temem que a divergência de preços possa atrasar ainda mais o programa de vacinação do Brasil, que não tem data certa para começar porque nenhuma vacina foi aprovada ainda pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Brasil foi forçado a fazer concessões regulatórias na quarta-feira para acelerar seu programa de imunização em meio a um aumento de casos de Covid no país, que tem o segundo maior número de mortos pela doença no mundo.

Outros vizinhos latino-americanos, como Chile, México e Argentina, já começaram a vacinar suas populações.

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