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“Já tem critérios para”, Brasil cobra que OMS classifique novo coronavírus como ‘pandemia’

Brasil segue na lista de países em alerta

Guilherme
Guilherme Becker / Editor com informações do Estadão
“Já tem critérios para”, Brasil cobra que OMS classifique novo coronavírus como ‘pandemia’
(FOTO: DIVULGAÇÃO/ JOSUE DAMACENA/ IOC/ FIOCRUZ)

26 de fevereiro de 2020 - 00:00 - Atualizado em 26 de fevereiro de 2020 - 00:00

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), cobrou nesta quarta-feira (26), que o avanço do novo coronavírus (Covid-2019) seja considerado uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta medida seria um reconhecimento de que a doença infecta, simultaneamente, pessoas ao redor do mundo, ou seja, não está restrita a uma região, e permitiria ampliar a lista de alerta de países para a doença.

Hoje, a OMS considera a doença uma emergência global, colocando em alerta apenas países em que há transmissão interna “consistente” da doença, com mais de 5 infecções dentro do mesmo território. Ou seja, que não foram “importadas” de outras nações.

Alerta do novo coronavírus pelo mundo

Na segunda-feira (24), o Ministério da Saúde adicionou mais oito países na lista de alerta do novo coronavírus, incluindo os primeiros três da Europa:

  • Itália
  • Alemanha
  • França
  • Austrália
  • Filipinas
  • Malásia
  • Irã
  • Emirados Árabes

Além dos países que já estavam em alerta:

  • China
  • Japão
  • Cingapura
  • Coreia do Sul
  • Coreia do Norte
  • Tailândia
  • Vietnã
  • Camboja
  • Brasil

Isso significa que serão considerados suspeitos da doença passageiros que estiveram nesses locais e que apresentem sintomas da doença, como febre e tosse. O novo enquadramento, antecipado pelo Estado, é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro desses países.

Antes da nova definição, pessoas com sintomas de gripe vindas da Itália, por exemplo, não recebiam atenção especial da vigilância sanitária brasileira, pois a suspeita do novo coronavírus era descartada na hora. Agora, haverá um protocolo específico pelo qual, caso o passageiro tenha febre associada a algum outro sintoma, será enquadrado automaticamente como caso suspeito.

O critério para o Brasil aumentar a lista foi o definido pela OMS, de países onde houve mais de 5 casos confirmados de transmissão interna. Mas o governo brasileiro defende a inclusão na lista de todas as nações onde tenham pessoas infectadas, mesmo que a transmissão interna não tenha começado.

Isso evitaria que autoridades sanitárias descartem como suspeito o caso de uma pessoa que apresente sintomas do coronavírus, mas que não esteve em países em alerta. O protocolo considera a possibilidade da doença apenas para quem esteve em locais deste rol.

Os Estados Unidos, por exemplo, onde há 53 casos confirmados até esta quarta-feira (26), não estão na lista de alerta, pois não há transmissão interna. Pela proposta de Mandetta – que ainda precisaria de mudança de posição da OMS -, o sistema de vigilância em saúde do Brasil iria considerar a possibilidade de novo coronavírus em paciente que esteve nos EUA e apresenta febre e outro sintoma gripal.

“Muito em breve a OMS terá de considerar o novo coronavírus como pandemia. Aliás, já tem critérios para (considerar). Já deveriam ter inclusive dado nota sobre”, disse Mandetta em coletiva de imprensa para anunciar a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil.

O ministro da Saúde reconhece que o Brasil pode ter ignorado diagnósticos desta doença apenas porque o paciente não esteve em países da lista. “Você não tem como saber se uma pessoa, mesmo assintomática, não é portadora”, disse.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou nesta quarta-feira (26), porém, que não se deve ter pressa de classificar o surto do novo coronavírus como uma pandemia, embora o número de casos da doença fora da China tenha aumentado significativamente nos últimos dias. “Não devemos ficar muito ansiosos em declarar uma pandemia sem uma análise cuidadosa e lúcida dos fatos”, afirmou Tedros.

Números

Segundo Tedros, a China relatou até agora 78.190 casos do coronavírus para a OMS, incluindo 2.718 mortes. Fora da China, há 2.790 casos em 37 países e 44 óbitos, acrescentou.

A lista de alerta de novo coronavírus tem sido ampliada pelo Brasil desde a semana passada, seguindo recomendações da OMS. Além dos países incluídos na segunda-feira, o Brasil, a lista inclui outros 8 países: China, Japão, Cingapura, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Tailândia, Vietnã e Camboja.

Latam descarta distribuição de máscaras em voos

Nesta quarta-feira (26) a companhia aérea Latam informou que ainda não está distribuindo máscaras para os passageiros. De acordo com a nota oficial, a empresa está pronta para seguir as recomendações da Anvisa.

Confira a nota oficial:

“A LATAM Airlines Brasil informa que está preparada para ativar o protocolo da Anvisa se houver suspeita de enfermidade infectocontagiosa a bordo de qualquer um de seus voos. Nesses casos, a companhia cumpre todos os protocolos estabelecidos e aguarda a avaliação do caso pela autoridade sanitária.

A LATAM reitera ainda que trabalha de forma coordenada com as autoridades de saúde de todos os países em que opera, e segue adotando todas as medidas determinadas por esses órgãos para assegurar o bem-estar e a segurança dos seus funcionários e clientes.”

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