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Caroline Berticelli / Editora com reportagem da RIC Record TV, Curitiba

17 de março de 2020 - 00:00

Atualizado em 17 de março de 2020 - 00:00

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Coronavírus

Coronavírus Curitiba: o que fazer se achar que estou infectado?

Por que evitar ir até Unidades de Saúde? O que fazer se estou com os sintomas em casa? O que fazer se sou idoso ou faço parte do grupo de risco? Quando ir até um hospital? O que fazer se vivo fora da capital?

Coronavírus Curitiba: o que fazer se achar que estou infectado?

Alcides Oliveira, diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, explicou, em entrevista realizada nesta terça-feira (17), porque pessoas com sintomas de infecção pelo novo coronavírus (doença COVID-19) devem, primeiramente, ligar para os telefones disponibilizados pela administração municipal antes de procurar uma Unidade Básica de Saúde. (Assista entrevista completa abaixo)

Central de Atendimento do Coronavírus

A Prefeitura montou uma central de atendimento especializado para tirar dúvidas e orientar a população sobre os procedimentos que precisam ser tomados durante a situação de emergência de saúde pública. Inclusive, o momento de se dirigir até uma unidade de saúde. O serviço também fornece uma declaração de isolamento online para que as pessoas possam permanecer em casa sem complicações no trabalho

O horário de funcionamento é das 8h às 23h de segunda a segunda. Os números são

  • 41. 3350-9000
  • 41. 99876-2903 (WhatsApp)

(IMAGEM: RIC MAIS/CORONAVÍRUS)

Flávia Quadros, coordenadora da central, explica que a partir de hoje oito atendentes e dois médicos estão disponíveis para avaliar caso a caso. “A orientação é de que pacientes leves não procurem as UPAs e as Unidades de Saúde, liguem para nós. Nosso foco aqui é dar o atendimento nos sintomas, cada caso vai ser avaliado, temos oito atendentes e mais dois médicos que ficam aqui de plantão dando toda a orientação para o paciente que for necessária. Os casos vão ser avaliados caso a caso”, explica. 

Por que evitar ir até Unidades de Saúde? 

A central foi criada para evitar a superlotação do sistema de saúde e, consequentemente, o colapso da estrutura pública que pode acarretar na falta de leitos para atender os pacientes graves da doença, de outras enfermidades e oriundos de acidentes. Assim como a disseminação do vírus, já que uma pessoa infectada que vai até uma Unidade Saúde acaba contaminando pessoas com quem cruza no trajeto e também aquelas que já estão na Unidade de Saúde

De acordo com o diretor do Centro de Epidemiologia, assim que apresentar sintomas de infecção no sistema respiratório é importante que a pessoa se auto-isole mesmo sem um exame que confirme a infecção pelo novo coronavírus. Isso porque o vírus já foi introduzido nos estados e o procedimento possível – pois não existem exames suficientes para toda a população – é monitorar os pacientes graves, os quais terão o material coletado para a realização do exame. O restante dos casos serão tratados como quadro de infecção respiratória

Outro ponto importante é que o isolamento dure 14 dias porque mesmo aparentemente curado, o doente permanece disseminando a doença

O que fazer se estou com os sintomas em casa? 

Ainda conforme Oliveira, doentes isolados em suas residências podem tomar remédios antitérmicos para o controle da febre, que é um dos sintomas da COVID-19. Por outro lado, devem evitar o uso de anti-inflamatórios.

“Se você está com quadro inicial de sintomas respiratórios, espere alguns dias, tome um antitérmico habitual de suas casas. O que não é recomendado é o uso de ANTI-INFLAMATÓRIO, como por exemplo, o ibuprofeno. Mas os antitérmicos habituais que todo mundo tem na sua farmacinha caseira pode ser tomado para tirar a dor no corpo, para controlar a febre. Se em um ou dois dias essa febre permanecer procure um serviço de saúde. Porém, se em dois dias não estiver sentindo absolutamente nada ou apenas uma tosse leve, uma leve dor de garganta, poderá permanecer em casa sem a necessidade de ir até um serviço de saúde”, explica. 

Nesta terça-feira (17), a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou que o ibuprofeno não seja usado para tratar possíveis sintomas da COVID-19, depois que o ministro da saúde francês alertou sobre o uso do medicamento no último sábado (14). Isso porque uma pesquisa publicada na revista científica “The Lancet”, na semana passada, sugeriu que pacientes com diabetes e hipertensão tratados com ibuprofeno têm maior risco de desenvolver quadros severos da doença.

O que fazer no caso de idosos e grupo de risco?

Idosos e pessoas que fazem parte do grupo de risco da COVID-19, no entanto, devem ficar mais atentos à evolução dos sintomas, já que podem rapidamente sofrer complicações como pneumonia, necessidade de internamento, entre outras. 

“Para os idosos é diferente, pois são mais vulneráveis e respondem mal às doenças novas. Seu sistema imunológico é diferente pelo próprio processo do envelhecimento. Então, o idoso com sintoma gripal tem que redobrar a atenção. Se não estiver se sentindo bem, aí sim, procure um serviço de saúde. Isso porque o idoso pode desenvolver com muita facilidade uma complicação do quadro respiratório como pneumonia, necessidade de internamento”, diz. 

Pessoas do grupo de risco devem evitar sair de casa, mesmo sem apresentar os sintomas, para impedir que sejam infectadas. 

“Fique em casa, não saia para as atividades habituais, evite de ir no supermercado no horário que tem muita gente, mude a rotina. Neste momento, é mudar a rotina. Aqueles idosos que moram sozinhos, peçam ajuda do vizinho, dos parentes mais próximos. Agora, é hora de solidariedade, essa ajuda é de todos para todos”, pontua Oliveira. 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde apontam como grupo de risco pessoas que estão mais suscetíveis a doença COVID-19, causada pelo novo coronavírus. São elas:

  • idosos;
  • diabéticos;
  • hipertensos;
  • quem tem insuficiência renal crônica;
  • quem tem doença respiratória crônica.
  • fumantes que têm o pulmão mais prejudicado por causa do cigarro.
Quando ir até um hospital?

No dia 12 de março, a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, informou que a população deve evitar se dirigir diretamente aos hospitais da cidade para que as instituições de saúde possam direcionar seus esforços nos casos graves e dar conta de todos os atendimentos. Segundo ela, o encaminhamento para um hospital deve ser feito através das unidades de saúde.

“Não recomendamos que as pessoas procurem diretamente os hospitais, os hospitais são retaguarda. Na medida em que as pessoas estão buscando diretamente o hospital, tiram o foco daquela equipe. Curitiba tem 111 Unidades de Saúde e as UPAs, esses são os locais que as pessoas devem procurar em primeiro momento. Se precisar uma internação, eventualmente, aí sim, mas é por meio desse sistema da UPA ou da unidade que a gente vai encaminhar ao hospital”, disse na ocasião.

Assista à entrevista:

O que fazer se vivo fora da capital?

Moradores de outras cidades do Paraná podem tirar suas dúvidas sobre a doença e dos procedimentos a serem tomados pelos telefones do governo estadual. São eles:

coronavirus-telefones-parana

Os atendimentos funcionam de segunda a sexta, das 8h às 12h, e, das 14h às 18h.

Aplicativo e encaminhamento para Unidade de Saúde

O Governo Estadual do Paraná também recomenda que as pessoas que apresentarem os sintomas da doença baixem o aplicativo do Coronavírus SUS (Android/iOS). Entre as inúmeras funcionalidades do app, os usuários podem fazer um exame virtual que indica se há ou não a possibilidade de infecção. Caso o resultado seja positivo, o próprio aplicativo aponta a Unidade de Saúde mais próxima.

coronavirus-perguntas-respostas (IMAGEM: RIC MAIS/CORONAVÍRUS)

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