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Compulsão por comida: descubra se você possui este transtorno alimentar

Redação RIC Mais
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11 de abril de 2017 - 00:00 - Atualizado em 11 de abril de 2017 - 00:00

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica pode causar obesidade e diabetes. (Foto: Crédito/Pixabay)

A pessoa com o transtorno não para de comer, mesmo tendo a sensação de saciedade e o desconforto abdominal pela ingestão exagerada

Por Prof. Dr. Mario Louzã, médico psiquiatra e psicanalista, Doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg (Alemanha)

Você come além da conta, mesmo não estando com fome? Sinal de alerta! Pode ser um sintoma de Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP), que se caracteriza pela ingestão, em um curto período de tempo, de uma quantidade exagerada (e desnecessária!) de alimentos.

Durante o episódio de compulsão alimentar, a pessoa se sente incapaz de controlar a ingestão excessiva, mesmo sabendo que está agindo fora do padrão habitual de alimentação. Além disso, a pessoa com TCAP não para de comer, mesmo já tendo a sensação de saciedade e o desconforto abdominal pela ingestão exagerada. É comum a pessoa preferir comer sozinha, sem ninguém olhando, pois ela se sente culpada e envergonhada quando se dá conta do quanto comeu.

Não são todos os pacientes que relatam a compulsão alimentar como uma forma de aliviar a ansiedade. No entanto, há evidências da relação do TCAP com os transtornos de ansiedade e de humor, pois a comida, em um primeiro momento, alivia os sintomas dos transtornos acima citados.

O problema são as consequências deste suposto bem-estar. Quem sofre de TCAP está sujeito a uma série de doenças como obesidade e diabetes tipo 2. Com o sobrepeso, surgem os distúrbios emocionais como depressão, síndrome do pânico, baixa autoestima, entre outros. Segundo dados da The National Eating Disorders Association, organização norte-americana para prevenção e tratamento dos transtornos alimentares, cerca de dois terços das pessoas que possuem o diagnóstico da compulsão são obesas.

O tratamento do TCAP se faz com medicamentos que controlam a compulsão, associados à terapia comportamental ou psicodinâmica. O acompanhamento de um profissional de nutrição também é importante para a mudança dos hábitos alimentares. De acordo com um estudo da Universidade de Munique, na Alemanha, a recuperação dos acometidos pelo TCAP acontece da seguinte forma: melhora considerável durante a terapia e estabilidade em cerca de 4, 5 ou 6 anos ao término do tratamento.

Vale deixar claro que o TCAP é diferente da bulimia nervosa. Nesta última, a culpa pela compulsão alimentar resulta na indução do vômito ou no uso de laxantes ou diuréticos.

Para o tratamento do TCAP é fundamental buscar ajuda médica especializada, pois o apoio e o controle da família e dos amigos não são suficientes para superar a doença.

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