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Curitiba: Cerca de 14 mil estabelecimentos encerraram as atividades desde o início da pandemia, indicam ACP e Abrabar

Presidentes da ACP e da Abrabar relataram drama dos empresários; infectologista destaca que fechamento do comércio é eficaz para reduzir casos

Guilherme
Guilherme Becker / Editor com a colaboração de Guilherme Fortunato
Curitiba: Cerca de 14 mil estabelecimentos encerraram as atividades desde o início da pandemia, indicam ACP e Abrabar
(Foto: Gilson Abreu/AEN)

2 de junho de 2021 - 15:55 - Atualizado em 2 de junho de 2021 - 15:55

Representantes do comércio de Curitiba voltaram a protestar contra as medidas restritivas impostas pelo decreto municipal. Nesta terça-feira (1), uma carreata foi organizada no Centro capital paranaense contra o fechamento do comércio. Segundo dados da Receita Federal, 8.988 bares e restaurantes foram fechados desde o início da pandemia na capital paranaense.

Dados apresentados pelo presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fábio Aguayo, mostram o encerramento de 36% dos estabelecimentos cadastrados desde o 1º trimestre de 2020. Antes, eram 24.591 comércios ativos e no início deste ano são 15.603.

“Lamentável o ponto que chegou. Sonhos que foram destruídos. Lamentamos o sonho desses empresários que perderam seus negócios”,

comentou Aguayo.

Aguayo também reiterou a falta de apoio das autoridades, principalmente ao decretar medidas restritivas ao comércio. Segundo ele, sem recursos para manter os negócios, empresários optaram por encerrar as atividades.  

“O que nos preocupa é justamente que nós não estamos vendo horizonte no fim deste túnel. Não temos linha de crédito, não temos financiamentos, não temos isenções, os impostos só estão sendo postergados. Então a preocupação do empresariado é tentar fechar a empresa para evitar entrar em uma bola de neve que nunca mais ele consegue sair”,

contou Aguayo.

Os dados apresentados pela Abrabar mostram também que, logo no início da pandemia, foram cerca de mil bares e restaurantes fechados. Durante o restante de 2020, mais 7.000 estabelecimentos encerraram as atividades e, no primeiro trimestre deste ano, outros 524 deram baixa.

Críticas ao Lockdown

Entre as principais reclamações dos representantes do comércio está o fechamento dos estabelecimentos, enquanto que outros serviços permanecem operando. Na carreata desta terça-feira (1), membros da Associação Comercial do Paraná (ACP) seguiram pelas principais ruas de Curitiba, fazendo buzinaço e entoando gritos de “Fora, Greca”.

“A cada decreto [medidas restritivas] inconsistente e desnecessário, como em Curitiba que está enxugando gelo, pode todo dia ir decretando fechamento de novas lojas. Novos empreendimentos nem pensar, muitos estão demitindo. Só tem um caminho, vacina ou aglomeração zero […] Já que a vida não pára, o ônibus não pode circular vazio porque dá prejuízo para a empresa de ônibus e a URBS porque o prefeito ganha dinheiro com isso, não vai parar. Um dia todos teremos vacina ou covid, esse é o prognóstico”,

afirmou Camilo Turmina, presidente da ACP.

Turmina também revelou que o fato da região metropolitana manter bandeiras menos severas, não traz benefícios para a capital, visto que a circulação de pessoas continua. Conforme dados da ACP, 200 mil comércios e serviços fecharam no Brasil durante a pandemia. Desses, 5 mil estavam sediados em Curitiba. Desta forma, questiona o lockdown aplicado em Curitiba.

“Quando ele [Rafael Greca] tem 35% dos casos de covid e 65% são importados de outros municípios, até de outros estados. Quando ele cria esse pseudo lockdownzinho, se ele reduzir 10% a transmissão, 10% ele só pode calcular sobre 35% dos casos, então ele reduz 3,5%. Daí ele vai criar o lockdownzinho número dois […] Vamos enterrar as empresas de Curitiba. Têm empresas já deslocando sua força de vendas para os municípios vizinhos, os que têm filiais, e continuam vendendo lá. Fechou aqui, mas a estrutura de venda deles está em Pinhais, Piraquara”,

completou o presidente da ACP.

O representante da associação revelou que deve tomar medidas mais duras junto a prefeitura para garantir o funcionamento do comércio. “Eu acho que está na hora de reivindicarmos o não pagamento de impostos e tributos de comércios que estão fechados. Pedimos o adiamento da cobrança de taxas e tributos municipais e foi negada, porque a prefeitura não tem caixa para esperar. Em lockdown não vendemos e ninguém recebe nada e nem paga”, finalizou.

Carreata contra o lockdown no comércio (Foto: Mariana Braga/ RIC Record TV)

Lockdown x redução de casos

O médico infectologista Marcelo Ducroquet, professor do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP), destacou que o fechamento do comércio não é a única alternativa para o combate da transmissão da covid-19. Entretanto, com o aumento expressivo dos casos, acaba sendo a alternativa dos governos.

“Existem outras maneiras, como identificação e o isolamento dos casos sintomáticos e assintomáticos. Mas, quando o número de casos sobe muito, fica impossível acompanhar todos os doentes e seus contatos. Por isso, vem a estratégia mais custosa econômica e politicamente que é o fechamento do comércio”,

comentou o infectologista.

Ducroquet também reforçou que somente o distanciamento e a higiene das mãos não é o suficiente. Segundo ele, os protocolos de segurança podem até reduzir o risco de infecção, porém, devem ser seguidos à risca por todos.

“Os maiores riscos estão relacionados à aglomeração e movimentação de pessoas. O fechamento do comércio mostrou que é eficaz em reduzir rapidamente o número de casos em estudos publicados ao longo do ano passado. Há, portanto, evidência científica que dá suporte a essa decisão”,

explicou Ducroquet.

Procurada pela reportagem do RIC Mais, a Prefeitura de Curitiba afirmou que não irá se manifestar sobre o assunto.

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