Coronavírus

Nós (como uma sociedade humana) precisamos combater o Coronavírus

16 de março de 2020 - 00:00 - Atualizado em 16 de março de 2020 - 00:00

“A saúde do povo é a suprema lei”, essa é a frase estampada na entrada do prédio histórico da saúde pública no centro de Curitiba. O médico e ex-secretário da saúde Dalton Paranaguá, a mandou gravar na fachada do edifício nos anos 60 para que os governantes nunca se esqueçam disso.

O problema do coronavírus é real. Não é fantasia, nem histeria. O vírus já chegou a mais de 120 países, registra mais de 142 mil infectados e 5 mil mortes. Vivemos uma pandemia global. O chefe da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, já pediu aos Estados que tomem ações urgentes e agressivas.

“Nossa mensagem aos países continua a ser: vocês precisam ter uma abordagem ampla. Não apenas testes, não apenas as redes de contágio. Não apenas a quarentena. Não apenas distanciamento social. Tomem todas essas medidas”, alertou o médico.

Temos a situação mais problemática na Itália. Por lá, o sistema de saúde está em colapso. O exemplo levou muitos países a tomar medidas rigorosas para tentar impedir que o vírus se alastre.

Vizinhos da China, Taiwan, Singapura e Hong Kong, passaram quase ilesos pela Covid-19. Os três países têm baixo número de infectados porque foram ágeis na adoção de procedimentos para estancar o problema. Até agora, Singapura tem 212 casos registrados e nenhuma morte. Hong Kong, apresenta 131 casos confirmados, incluindo 4 mortes. Já Taiwan conta com 50 casos confirmados – entre eles, uma morte. As medidas incluem quarentenas rigorosas, com multas altas para quem desrespeitar (em Taiwan, por exemplo, a multa é de cerca de R$ 100 mil). Ações de distanciamento social foram colocadas em prática. As escolas em Hong Kong devem permanecer fechadas até a Páscoa. Funcionários de delivery têm orientações expressas para evitar contato com clientes e houve até recomendações para que namorados não dormissem um na casa do outro. Muitas empresas também estão sem funcionamento ou, então, pediram para seus funcionários trabalharem de casa. Eventos com grandes aglomerações foram proibidos. Um controle rígido de fronteiras foi adotado e uma política de comunicação efetiva foi colocada em prática. As autoridades fazem ainda um controle na distribuição de máscaras cirúrgicas, tanto em seu estoque quanto no preço a serem vendidas no mercado.

Em nosso país, entretanto, a letargia do poder público parece querer esperar para ver. De forma desorganizada, estados começam a tomar medidas. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal, os governos determinaram que as aulas sejam suspensas. Museus, bibliotecas, teatros e centros culturais estatais deverão ser fechados. Também foi recomendado o cancelamento de eventos esportivos, shows, feiras, eventos científicos, comícios e passeatas em locais abertos ou fechados. O governador carioca foi ainda mais longe, decretou “estado de emergência” e fechou shopping centers (somente praças de alimentação ficarão abertas) e reduziu o atendimento em bares e restaurantes a um terço das mesas.

No Paraná, o governo começou a tomar as rédeas do combate ao Covid-19. O decreto do governador Ratinho Júnior, divulgado nesta segunda-feira, prevê medidas que tentam frear a circulação do vírus. Aulas serão suspensa e recomenda-se evitar eventos com mais de 50 pessoas. Uma Força Tarefa foi criada entre as secretarias para tomar outras medidas que sejam necessárias. A luta agora é para que o decreto não seja apenas uma medida política em um pedaço de papel, mas que vire realidade.

É importante também que todos façam sua parte. A população tem que entender que quarentena não é férias. É preciso ficar em casa e evitar contato social. Não adianta usar o período para ir a shoppings ou parques.

A consciência coletiva tem que ser maior do que a vontade individual.

O setor produtivo também precisa dar a sua contribuição. Teremos prejuízos com fábricas e comércio fechados, mas é preciso ter a consciência que uma epidemia fora de controle poderá gerar resultados ainda mais negativos. É prudente parar agora para não termos uma crise econômica maior depois.

Não podemos esperar que a doença se alastre, é preciso agir rápido. Todos os exemplos bem sucedidos mostram que agilidade é fundamental. Esse é um problema de todos, só unindo esforços poderemos nos proteger.