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Cobras que foram recolhidas em Mandaguari vão ajudar a produzir soro

O Laboratório de Taxonomia Animal já está fazendo a identificação das cobras e vai começar o processo de destinação adequada a instituições parceiras de pesquisas

Brenda
Brenda Caramaschi com informações da assessoria de imprensa
Cobras que foram recolhidas em Mandaguari vão ajudar a produzir soro
Fotos: Emanuel Marques da Silva/Secretaria Estadual de Saúde

31 de julho de 2020 - 12:42 - Atualizado em 31 de julho de 2020 - 12:42

As 153 cobras que foram recolhidas em Mandaguari (região de Maringá) na quarta-feira, 29, foram enviadas à Secretaria Estadual de Saúde por conta da reativação do serpentário do Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos do Paraná. O Laboratório de Taxonomia Animal já está fazendo a identificação das cobras e vai começar o processo de destinação adequada a instituições parceiras de pesquisas, como o CPPI, que já é referência nacional na produção de soro contra a picada da aranha-marrom e pode desenvolver antígenos contra picadas de serpentes. A Sesa também quer intensificar a capacitação junto à Vigilância Ambiental dos municípios para que mais profissionais atualizem as informações sobre o manejo de serpentes.

As serpentes foram apreendidas em operação realizada pelo Instituto Água e Terra, em conjunto com a Sesa e Polícia Ambiental do Paraná. As cobras pertencem aos gêneros Bothrops (jararaca) Crotalus (cascavel). Jararacas e cascavéis, como as que foram recolhidas, juntas, são responsáveis por 81% dos acidentes com cobras notificados no Estado. A Sesa mantém o Programa Estadual de Vigilância por Acidentes por Animais Peçonhentos e o Laboratório de Taxonomia, junto à Divisão de Zoonoses. “O objetivo é acompanhar todos os casos envolvendo estes animais; a freqüência e a região que ocorrem, espécies de animais presentes, distribuição de soroterápicos e a atenção que é dada aos pacientes quando sofrem um acidente”, complementa o biólogo. As notificações abrangem ocorrências com serpentes, aranhas, escorpiões, lagartas, águas vivas e peixes peçonhentos. Os acidentes são notificados também junto ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação.

“Pesquisas e capacitações profissionais fazem parte das principais ações da Secretaria de Estado, pois nos colocam à frente de vários serviços, auxiliam em diagnósticos e no atendimento à população diante em casos urgentes”, disse o secretário da Saúde, Beto Preto.

“A abertura do biotério, com todas as condições adequadas para receber animais peçonhentos, é um grande passo para o serviço de saúde que visa a preservação de espécies e a proteção da população”, afirma o chefe da Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações, Emanuel Marques da Silva,

Segundo o coordenador de pesquisas do CPPI, Bruno Antunes, “a reativação do serpentário representa também a ampliação de projetos de educação ambiental e educação em saúde pública, além da produção de medicamentos de produção de soros mais eficientes para tratamento de acidentados por animais peçonhentos”.

Serpentes 

O Laboratório de Taxonomia de Animais recebe e identifica milhares de exemplares por ano, provenientes de todo o Estado. Nos primeiros seis meses do ano, cerca de 5.660 deram entrada, destes 399 foram serpentes. Agora, com a abertura do biotério, os exemplares capturados vivos serão mantidos em condições adequadas, até que sejam destinados para organizações de pesquisas. Levantamento da Divisão da Zoonones mostra que entre 2010 a 2020 foram registrados 5.875 acidentes envolvendo animais da “família” das jararacas; 1.190 envolvendo cascavéis e 42 envolvendo corais. A gravidade de cada acidente está relacionada a diversos fatores, como a quantidade de veneno injetada, estado de saúde do acidentado, local da picada, idade do paciente, entre outros.

O que fazer em caso de acidentes com cobras

Em caso de acidentes, a pessoa deve apenas lavar o local da picada e elevar o membro atingido. Qualquer outra atitude pode complicar o quadro do envenenamento. “O mais importante é buscar ajuda médica para receber o atendimento necessário”, informa Emanuel Marques da Silva.

Outras informações em caso de acidentes devem ligar para:

Centro de Controle de Envenenamentos: 0800 41 0148 (plantão 24 horas).

Proibição

A Sesa alerta ainda para a proibição de se manter animais silvestres em ambientes domésticos e em cativeiro. Animais silvestres nunca devem ser comercializados, reproduzidos e mantidos em cativeiro sem a autorização ambiental. O artigo 29 da Lei nº 9605/98 de Crimes Ambientais prevê detenção de 6 meses a 1 ano e multa para as pessoas que se enquadrem na prática. “Vale lembrar que todos os animais, inclusive as cobras, participam ativamente do equilíbrio ecológico; aprender a conviver em harmonia com os animais, respeitando seus ecossistemas, seus hábitos e comportamento natural é uma das formas de garantir a manutenção de um meio ambiente saudável”, disse Emanuel Marques.