Clima e Tempo

Perda na lavoura, incêndios e problemas respiratórios: o saldo do abril mais seco dos últimos 45 anos em Maringá

Praticamente sem chuva durante o abril mais seco das últimas décadas, projeções para os próximos dias continuam sendo desfavoráveis, segundo estação climatológica

Wilame
Wilame Prado / Repórter
Perda na lavoura, incêndios e problemas respiratórios: o saldo do abril mais seco dos últimos 45 anos em Maringá
Foto: Colaboração/RIC Record TV

1 de maio de 2021 - 11:30 - Atualizado em 3 de maio de 2021 - 11:03

Abril se foi e praticamente não choveu em Maringá durante o mês inteiro. A última chuva significativa registrada na cidade foi há 45 dias, em 17 de março, quando choveu 15 mm. Para dizer que não choveu uma gota sequer na cidade no último mês, há o registro de apenas 2,8 mm em 16 de abril. É o menor índice de chuvas no mês de abril em toda a série histórica registrada pela Estação Climatológica Principal de Maringá (ECPM), iniciada em 1976, ou seja, há 45 anos.

A umidade relativa do ar sofreu queda acentuada por conta da ausência de chuvas, conforme explica o coordenador da ECPM, Leandro Zandonadi. “Alcançou-se em Maringá o índice de 16% de umidade relativa do ar, no último dia 27 de abril. A OMS recomenda índices entre 50% e 80% de umidade relativa do ar para o ser humano”, informa.

O resultado desta secura é, literalmente, sentido na pele, já que os maringaenses têm notado a pele seca, talvez um dos menores dos malefícios causados por esta adversidade climatológica.

A médica alergologista Ana Paula Martins explica que tempo seco e baixa umidade do ar dificultam a dispersão de gases poluentes, provocam ressecamento das mucosas das vias aéreas e tornam o indivíduo mais vulnerável a crises de asma e a infecções virais e bacterianas.

“A desidratação do organismo também favorece o aparecimento de problemas oculares e alergias“, alerta a médica.

Para evitar maiores problemas de saúde, Ana Paula lista alguns cuidados que podem ser tomados (veja a lista ao final do texto), lembrando sempre de nunca se automedicar e de procurar um médico especialista quando houver sintomas mais intensos, como febre, tosse forte e falta de ar.

Perdas no milho e incêndios

Entidades de pesquisa agronômicas, como Emater, calculam perdas na ordem dos 20% nas lavouras do milho safrinha (comuns na entressafra da soja nesta época do ano na região de Maringá). A esperança dos produtores rurais, para evitar possíveis perdas ainda maiores, é que chova no começo deste mês de maio.

O produtor rural Luiz Alberto, que mantém lavouras no município de Floresta, na região de Maringá, diz ser difícil calcular possíveis perdas, mas, a depender da data de plantio, lamenta que inevitalmente algumas áreas tenham sido duramente prejudicadas pela escassez de chuva.

Se chover logo, em uma área em que o milho já está pendoado, certamente o plantio vai reagir um pouco. Ainda é cedo para falar em números, mas certamente haverá perdas grandes na lavoura”, afirma Luiz Alberto.

Outro problema com o tempo seco são os recorrentes incêndios ambientais, que forçaram um trabalho de rescaldo quase que diário pelos socorristas do Corpo de Bombeiros de Maringá neste último mês de abril.

Ainda contabilizando o número oficial de incêndios registrados no mês passado, o dia 27 de abril foi marcante para a corporação, que precisou atuar fortemente em dois incêndios que acontenciam em lugares distintos na cidade, um deles na Zona Sul, atingindo área de vegetação perto do antigo aeroporto, e outro na Rua Fernandes Vieira, Zona 2 de Maringá.

Há esperança de chuvas?

As projeções não são muito otimistas com relação às chuvas durante todo o outono, que vai até o dia 21 de junho”, lamenta Leandro Zandonadi, coordenador da Estação Climatológica Principal de Maringá (ECPM).

De acordo com ele, a expectativa é que possa chover entre 50 mm e 100 mm abaixo do esperado na estação do outono, que inclui abril, maio e junho. “O esperado para estes três meses seriam aproximadamente 360 mm, sendo 125 para abril, 135 para maio e 100 para junho. Mas, como vimos, abril já foi bem abaixo”, diz Zandonadi.

“A explicação para esse tipo de adversidade climática se dá pelo fenômeno La Niña, de origem no Oceano Pacífico Tropical, mas com ação em escala global e que tem atuado desde o início do segundo semestre de 2020. O fenômeno tem perdido força, porém, e deverá desaparecer até o final do outono”, considera Zandonadi.

Cuidados com o tempo seco*

  • Manter o corpo sempre bem hidratado bebendo bastante água
  • Preferência por consumo de frutas ricas em líquidos
  • Aplicação de soro fisiológico em narinas e nos olhos
  • Evitar prática de exercícios físicos entre 10h e 16h
  • Hidratar a pele pelo menos depois do banho e ao deitar
  • Umidificar os ambientes com toalhas molhadas, recipientes com água ou umidificadores
  • Evitar aglomerações e permanência prolongada em ambientes fechados ou com ar-condicionado
  • Casa sempre limpa e arejada, evitando usar vassouras e dando preferência a aspiradores de pó e panos úmidos para limpeza

*Recomendações da médica alergologista Ana Paula Martins.