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‘Queria matar o máximo’, afirma delegado sobre chacina em Saudades (SC)

O inquérito policial foi concluído e a polícia revelou detalhes das investigações, que envolveram até o FBI

Aline
Aline Taveira / Produtora com informações do ND+
‘Queria matar o máximo’, afirma delegado sobre chacina em Saudades (SC)
A polícia revelou detalhes das investigações (Foto: Willian Ricardo/ND)

14 de maio de 2021 - 12:15 - Atualizado em 14 de maio de 2021 - 12:15

Dez dias após o ataque na creche Pró-Infância Aquarela, na cidade de Saudades, no Oeste catarinense, o delegado Jerônimo Marçal Ferreira revelou detalhes da investigação do crime. O ataque deixou cinco pessoas mortas, entre elas três bebês com menos de dois anos e duas educadoras.

De acordo com a polícia, o autor do ataque, de 18 anos, agiu sozinho. Ele foi motivado pelo ódio à sociedade em geral e comprou as armas do crime pela internet. Atualmente, o acusado está no Presídio Regional de Chapecó, após ficar oito dias internado tratando dos ferimentos causados na tentativa de suicídio depois do ataque. Ele foi autuado em flagrante por cinco homicídios e uma tentativa de homicídio, todos triplamente qualificados.

De acordo com o delegado, o rapaz confessou o crime em depoimento e admitiu que tudo foi planejado antecipadamente. O jovem não exigiu a presença de um advogado e fez questão de prestar as informações solicitadas pela Polícia Civil de forma espontânea.

“Ele tem consciência do que fez, isso mostra que tinha discernimento de tudo. Não há qualquer indicativo que alguém tenha lhe auxiliado”, salientou.

O delegado contou ainda que o autor queria matar o máximo possível de pessoas e, por isso, agiu com pressa. 

“Ele agiu com crueldade, frieza e covardia, e tem sim que ser responsabilizado pelos crimes graves e cruéis que cometeu”, afirma o delegado

Comportamento 

Segundo o delegado, o jovem era uma pessoa isolada e que tinha dificuldade de relacionamento inclusive com a própria família.

“A família se reunia para jantar, ele pegava o prato e ia para o quarto. Quando queria comprar uma roupa, pedia para que a mãe fizesse isso. Ele foi se isolando cada vez mais nos últimos tempos e entrou em um mundo onde começou a ter contato com materiais violentos [fotos e vídeos] e a alimentar esse ódio nele”.

A investigação aprofundou detalhes da vida do jovem e descobriu que o crime foi planejado desde o ano passado. 

“Ele não tinha ódio contra um grupo específico, criou esse ódio generalizado. Ele tinha acesso a muito conteúdo inapropriado e contato com pessoas que com pensamentos ruins e violentos, mas não tinha acesso a deep web“, acrescentou.

(Foto: Willian Ricardo/ND)

Prevenção

Durante a investigação, a Polícia Civil contou com troca de informações com agências do FBI nos Estados Unidos. O delegado regional Ricardo Casagrande acrescentou foi possível impedir ações semelhantes em outros estados. 

“As ações não tinham ligação com o fato ocorrido em Saudades, mas diante do que foi extraído dos equipamentos, conseguimos identificar que outras pessoas tinham intenções semelhantes ao jovem de Saudades. Eles permanecem sob investigação em seus respectivos estados”.

Cela isolada

O jovem segue preso desde a quarta-feira (12), quando recebeu alta hospitalar. Ele deve ficar quarentena por alguns dias, como protocolo de controle à Covid-19.

Em entrevista ao ND+, o diretor do Complexo Prisional, Alecsandro Zani, contou o acusado passará por avaliação da equipe técnica composta por psicóloga, psiquiatra e setor de segurança para definir se terá condições de ser alocado com demais apenados ou será mantido isolado dos demais.

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