Notícias

Caso Virgínia: sentença que absolve 8 médicos alega ‘provas insuficientes’

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

21 de abril de 2017 - 00:00 - Atualizado em 21 de abril de 2017 - 00:00

Elias Mattar Assad, advogado de Virgínia Soares, em coletiva na manhã desta sexta-feira (Foto: RICTV)

‘Quem acusou, acusou com tudo que podia e com o que não podia’, afirmou o advogado de Virgínia em coletiva nesta manhã (21)

Por Helen Anacleto, repórter da RICTV Curitiba

Além da médica Virgínia Soares de Souza, outros sete médicos acusados de antecipar mortes no Hospital Evangélico foram absolvidos em decisão do juiz Daniel Surdi de Avelar, da 2ª Vara do Júri de Curitiba, e não irão a júri popular.

Na sentença, o juiz afirmou que as provas trazidas pelo Ministério Público não foram suficientes para provar que Virgínia comandava um esquema de antecipação de mortes na UTI do hospital: “Não restou satisfatoriamente demonstrado que os acusados praticavam antecipações de óbitos, seja por questões técnicas, atinentes à medicina, seja pela tênue prova testemunhal nesse sentido”.

O juiz destacou que a perícia oficial, os pareceres técnicos e as testemunhas médicas ouvidas não atestam o homicídio de pacientes. Não haveria “elementos constantes nos prontuários médicos para corroborar a tese da acusação”, escreve o juiz, salientando que alguns dos acusados foram “absolvidos unanimamente” pelo Conselho Regional de Medicina. 

Queda de pressão

“A dor da perda não dá o direito a ninguém de acusar os inocentes”, afirmou Elias Mattar Assad, advogado de Virgínia Soares, em coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (21). “Quem acusou, acusou com tudo que podia e com o que não podia. Quem defendeu também trabalhou nos limites. E vem a Justiça serenamente, com sua espada, levanta aquelas conchas serenamente e diz: este caso é caso de absolvição”.  

A presença da médica era esperada na coletiva, mas ela não compareceu alegando queda de pressão. Segundo Mattar Assada, ela se emocionou a ponto de quase desmaiar ao saber da absolvição. 

‘Não deixam dúvidas’

O Ministério Público irá recorrer da decisão anunciada ontem. 

Os promotores do caso defendem que tanto as interceptações de conversas telefônicas que Virgínia teve com os outros acusados quanto os prontuários médicos não deixam dúvidas sobre a morte provocada de pelo menos sete pacientes.

Já o comunicado do hospital diz: “O Hospital Evangélico de Curitiba acatará qualquer decisão judicial final sobre esse caso, mas não emitirá juízo de valor a respeito dele, uma vez que a discussão ocorreu em gestões anteriores à intervenção do Ministério Público do Trabalho no Paraná. Apenas lamenta que mais essa demanda tenha ocorrido. O Setor Jurídico do Hospital recorreu da decisão e aguardará os resultados.”

Virgínia Soares de Souza era chefe da UTI do hospital evangélico até 2013, quando a polícia passou a investigar um suposto esquema de antecipação de mortes comandado por ela. Na época, as investigações disseram que a médica e outros funcionários do hospital aplicavam uma combinação letal de remédios em pacientes para liberar leitos da UTI.