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Caso Georgia: tio da criança diz que a sobrinha estava coberta de hematomas no rosto

A menina de apenas 7 anos estava nua e apresentava várias lesões pelo corpo, entre elas, algumas que indicam abuso sexual; o padrasto e a mãe estão presos

Caroline
Caroline Berticelli / Editora com reportagens de Tiago Silva e William Bittar da RIC Record TV, Curitiba
Caso Georgia: tio da criança diz que a sobrinha estava coberta de hematomas no rosto
Georgia Barbosa das Neves vivia com a mãe e o padrasto. (Foto: Reprodução/RIC Record TV)

13 de maio de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:45

O tio de Georgia Barbosa das Neves, de 7 anos, que foi levada morta pela mãe e pelo padrasto até o Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, conversou com a RIC Record TV e contou que o pai da menina morreu há dois anos, por isso, ele foi responsável por ir até o Instituto Médico-Legal (IML) para reconhecer e liberar o corpo da sobrinha. (Assista vídeos abaixo)

Abalado, Antonio das Neves Junior, conta que a situação da criança era chocante. “Revolta de ver uma criança, uma menina nessa idade, do jeito que está ela. Ela realmente está com muitos hematomas, tem hematomas sobre a face, ao lado do face, ao lado da cabeça, sobre a cabeça. Pancadas que foram desferidas na cabeça dela, calculo eu que sejam socos”, diz. 

Junior explica que não tinha muito contato com a sobrinha porque a mãe da menina – Suelen Tissi Barbosa, de 21 anos, que está presa – costumava mudar constantemente de endereço.

“Assim que saiu a pensão, o seguro do meu irmão, ela desapareceu. Era três meses em um local, três meses no outro, não tendo residência fixa. Parece-me que residiu  um tempo com os pais, mas também houve desacordo que a gente não sabe os motivos”, pontua. 

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Georgia, o padrasto e a mãe em foto recente. (Foto: Reprodução/RIC Record TV)

Ele ainda completa que não consegue entender como existem seres humanos capazes de atos de tanta violência e faz um alerta para as mães

“O que a gente fica realmente é perplexo da maldade de alguns seres humanos que não tem amor no coração. Porque uma pessoa que faz isso e a mãe, onde já se viu, uma mãe que acoberta agressão contra a filha. Então, o meu alerta é também para outras mães que são viúvas, que são separadas, que têm seus filhos menores ‘Abram o olho, fiquem de olho. Hematomas não aparecem da noite para o dia. Hematomas acontecem com agressão”, declara Junior. 

Defesa da mãe de Georgia acredita que ela também era vítima

O advogado Luiz Gustavo Janiszewski, que representa a mãe de Georgia, também concedeu uma entrevista ao programa Balanço Geral Curitiba. Conforme ele, sua primeira conversa com a cliente foi nesta quarta-feira (13) e a história ainda precisa ser apurada com mais detalhes. 

“Nós estamos ainda naquele momento de entender efetivamente o que está acontecendo. Eu acabei de conversar com a Suelen, ela está confusa, desorientada, me parece que deu um depoimento para o delegado, depois para mim, ela falou que nem tudo o que ela prestou na frente do delegado é verdade”, explica. 

Janiszewski ressalta que acredita que a mãe de Georgia vivia um relacionamento abusivo e era também era vítima do atual marido, Wanderlo Pacric de Souza, de 41 anos, do mesmo modo que a filha

“As informações que eu tenho da família, é que ela era sim uma boa mãe. Mas veja isso, é muito sintomático: ela tem um relacionamento com esse senhor há apenas três meses e a partir daí, ela se afastou da família e ela de alguma maneira não atendia mais telefonemas, coisas assim. Tudo precisa ser comprovado durante a investigação, mas me parece que novamente segue o que a gente já vem acompanhando de relacionamentos possessivos, afasta da família, abusa de criança, tudo está levando a crer que era um relacionamento abusivo, possessivo e que a Suelen também era vítima desse senhor”, pontua. 

Outra questão que foi levantada por alguns familiares de Suelen é que a mulher sofreria algum tipo de distúrbio mental ou problema psicológico. De acordo com o advogado, ele está a par da informação, mas precisa de exames que possam confirmar a suposição. 

“Eu vou pedir um laudo para confirmar essa situação. Nesse momento, eu peguei ela em uma situação de extremo desespero. Então, é muito preliminar para eu falar”, finaliza. 

Veja a entrevista com o advogado:

O crime

A criança foi levada já sem vida até o hospital no fim da noite na noite desta segunda-feira (11). Conforme a médica que realizou o primeiro atendimento, Georgia estava nua – coberta apenas por uma jaqueta – e apresentava diversos hematomas pelo corpo. Entre as lesões, foi possível identificar que algumas eram recentes, enquanto outras aparentavam ser de queimaduras mais antigas. 

Durante um exame mais detalhado, a profissional encontrou também uma lesão próxima ao ânus da menina e a parte íntima estava inchada e arroxeada, o que pode indicar um abuso sexual.   

Conforme o motorista de aplicativo que levou a família até o hospital, as marcas pelo corpo da criança eram assustadoras

“Na hora ali, eu vi que não tinha o que fazer mais, puxava o braço para trás e pegava na mão da menina, ela ainda estava morna. Eu pedi muito a Deus que tirasse os obstáculos do meu caminho para chegar no hospital e dar para salvar a vida dela. Eu sabia que tinha algo errado. […] Ela tinha marcas na barriga, ela tinha bastante, e chegando lá no hospital, na hora que ela foi descer do carro [mãe], que eu abri a porta, eu vi nas costas das criança muitas marcas cicatrizada já”, conta o homem, que prefere não se identificar.

Tanto a mãe de Georgia como seu padrasto foram presos em flagrante, ele por estupro de vulnerável e homicídio qualificado. Os dois ainda são considerados suspeitos e permanecem à disposição da Justiça. 

Na delegacia, a mulher confessou que o marido costumava agredir a criança, mas declarou que nunca denunciou por medo. Já o homem nega as acusações.

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Padrasto e mãe de Georgia na delegacia. (Foto: Reprodução/RIC Record TV)

A Polícia Civil de Campina Grande do Sul, onde o caso foi registrado, espera pelos laudos que deverão comprovar a causa mortis da vítima assim como a suspeita de abuso sexual

Wanderlo está detido em Campina Grande do Sul e Suelen está em Quatro Barras, também na Grande Curitiba, mas deve ser reconduzida ainda nesta quarta-feira para delegacia de Rio Branco do Sul, onde mulheres que são presas na RMC aguardam a transferência para algum presídio da região.  

Assista à reportagem: 

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