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Caso Daniel: testemunha principal da morte quer processar Edison Brittes

Redação RIC Mais
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2 de fevereiro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 2 de fevereiro de 2019 - 00:00

O jogador Daniel foi assassinado no final de outubro de 2018, após uma festa de aniversário (Foto: Reprodução/Twitter)

O jovem, de 23 anos, foi obrigado a deixar para trás o local onde vivia com a família, os amigos e a faculdade devido a ameaças de morte

O rapaz que revelou detalhes da morte brutal do jogador Daniel Corrêa à polícia pretende processar o assassino confesso, Edison Brittes, para cobrar indenização por danos materiais e morais. A revelação foi feita pelo advogado Jacob Filho, que representa a principal testemunha do crime, ocorrido no dia 27 de outubro de 2018, durante uma festa de aniversário, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Proteção à testemunha

Atualmente inserido no programa de proteção à testemunha da polícia do Paraná, o jovem, de 23 anos, foi obrigado a deixar para trás o local onde vivia com a família, os amigos e a faculdade devido a ameaças de morte. Alguns recados dos criminosos foram enviados para a mãe do rapaz.

Jacob Filho cobrou apoio do governo paranaense à testemunha e enfatizou as perdas sofridas pelo rapaz, que foi diagnosticado com estresse pós-traumático e depressão profunda desde que presenciou as agressões a Daniel durante uma festa na residência dos Brittes. “Ele não tem escolta ou outra assistência policial. Não tem saído na rua e parou a faculdade. Não tem vida. Fica dentro de casa e tem medo de ser reconhecido. Como não tem um aparato policial, não vai à padaria comprar um pão. Ele vive uma prisão domiciliar”, contou Jacob Filho.

Testemunha de morte ‘parou de viver’

De acordo com o advogado, o jovem mora em outra região do país e todos os custos são financiados por ele e familiares: habitação, alimentação, transportes, etc. Por isso, Jacob Filho estuda mover uma ação indenizatória contra Edison Brittes, considerado o real culpado pela mudança radical na vida do estudante.

“É um dever do Estado, mas quem o submete a toda essa tortura psicológica, ter de abandonar a faculdade e tudo mais, foram os Brittes. O que se busca é reparação do dano. Se você é submetido a uma situação como essa, tem que ter o nome reparado”, frisou o advogado. No entanto, o advogado ainda estuda a melhor estratégia para ajuizar a ação para não prejudicar o andamento do processo criminal no qual Edison Brittes é réu junto com a mulher, a filha e outros cinco acusados.

A ação civil ex delicto, que requer reparação por danos reconhecidos juridicamente em infração penal, deverá ser impetrada na Justiça paulista. A data para a entrega do documento ainda não foi definida. “Se a testemunha processa o réu, se torna impedida, suspeita por ter outros interesses. O [Edison] Brittes pode se utilizar disso. Assim, podemos ajuizar a ação e suspendê-la. Isso ainda está sendo avaliado tecnicamente”, explicou o advogado.

Primeiros depoimentos na Justiça

O advogado da testemunha também anexou, na última quinta-feira (31), um pedido no processo judicial para que o jovem não seja obrigado a ficar cara a cara com o assassino na primeira audiência do caso.

Os depoimentos dos oito réus e da testemunha foram marcados pela juíza Luciani Regina Martins de Paula para o dia 27 de fevereiro e serão realizados na 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, município onde o crime foi cometido.

Denuncidos pela morte de Daniel Côrrea

Edison Brittes — homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e coação no curso do processo;

Cristiana Brittes — homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor;

Allana Brittes — coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de menor;

Eduardo da Silva — homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;

Ygor King — homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;

David Willian da Silva — homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e denunciação caluniosa;

Evellyn Brisola Perusso — denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de menor e falso testemunho.

Dos envolvidos no crime, apenas Evellyn Brisola aguarda os trâmites do processo em liberdade. Os demais continuam presos.


INDICIADOS PELO MP-PR POR ENVOLVIMENTO NO ASSASSINATO DO JOGADOR DANIEL (INFOGRÁFICO: LUANA SILVERIO)
Relembre a morte do jogador Daniel

O corpo do jogador Daniel Corrêa Freitas foi localizado no dia 27 de outubro de 2018, na Colônia Mergulhão, na zona rural de São José dos Pinhais, depois que um morador da região viu marcas de sangue no chão em uma estrada e seguiu o rastro até o corpo do jovem. Ele estava vestido apenas com uma camiseta, com sinais de tortura, com o pênis decepado e com cortes profundos no pescoço, a ponto de quase ter sido degolado.

Daniel, que jogou pelo Coritiba em 2017, teria aproveitado o fim de semana para visitar amigos na capital do Paraná e participar da festa de 18 anos de Allana.

No dia 31 de outubro, quatro dias após o crime, a primeira pessoa envolvida com o assassinato foi presa. Cristiana Brittes foi detida pela polícia enquanto estava a caminho do escritório de um advogado. No dia seguinte, 30 de outubro, Edison Brittes e Alanna Brittes se apresentaram na Delegacia da Polícia Civil em São José dos Pinhais.

A polícia chegou até eles depois que uma testemunha-chave contou tudo o que sabia sobre o caso. Essa pessoa esteve na casa onde Daniel foi espancado e de onde foi levado, dentro do porta-malas de um veículo, para o local onde foi morto.

Na sequência foram presos David Willian da Silva, Ygor King e Eduardo Henrique da Silva. Os três agrediram o jogador dentro da residência dos Brittes e auxiliaram no assassinato. Em depoimento, todos afirmaram que não ajudaram a assassinar Daniel, mas que seguiram junto com Edison no veículo até a Colônia Mergulhão.

Durante as investigações, os detalhes dos depoimentos chocaram até os policiais acostumados com crimes: Eduardo revelou que Edison já saiu da casa com a intenção de extirpar o órgão sexual do jogador e que ele começou a cortar o pescoço da vítima logo que chegaram na estrada rural. David também contou detalhes perturbadores, ele admitiu que comprou roupas para Edison trocar as que usava quando assassinou Daniel e que chegou a ouvir o jogador engasgando com o próprio sangue enquanto era degolado.

Edison confessou o assassinato e disse que fez tudo porque Daniel tentou estuprar sua mulher. Para o delegado Trevisan, a tentativa de estupro nunca aconteceu. “Nós não acreditamos nessa hipótese de estupro. Não tem como provar. Acreditamos apenas que o rapaz tenha deitado ao lado dela [mulher de Edison], tenha tirado fotografia e tenha dito que tinha estuprado apenas para aparecer para os amigos. Enfim, coisa de pessoa imatura apenas. […] Acreditamos que tenha sido um momento de imaturidade de Daniel acompanhado de um gesto desproporcional”, afirmou ainda durante a entrevista ainda durante as investigações.

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