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Campo Mourão anuncia espaço para indígenas, mas moradores de seis bairros são contra instalação

Chamado de terreno de passagem, espaço para indígenas abrigará índios que passam temporadas no município vendendo artesanatos

Wilame
Wilame Prado / Repórter
Campo Mourão anuncia espaço para indígenas, mas moradores de seis bairros são contra instalação
Líderes indígenas no local onde poderá ser construído um abrigo para comunidades indígenas. (FOTO: Prefeitura de Campo Mourão)

16 de junho de 2021 - 11:15 - Atualizado em 16 de junho de 2021 - 11:15

O município de Campo Mourão, na região Noroeste do Paraná, vive um impasse envolvendo a instalação de um espaço adequado para a permanência de comunidades indígenas na cidade.

A ação, anunciada em maio pela Secretaria de Assistência Social, sofreu um abaixo-assinado de moradores de pelo menos seis bairros da cidade. 

Como resposta, o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Campo Mourão (Compir) publicou nota de repúdio na última segunda-feira (14) que alerta para possíveis crimes de discriminação e injúria racial contra a comunidade indígena.

Para evitar que índios fiquem em condições inadequadas pelas ruas de Campo Mourão, especialmente crianças, a Secretaria da Assistência Social de Campo Mourão anunciou a instalação daquele espaço, chamado de terreno de passagem, o qual servirá para os períodos em que índios ficam na região almejando vender artesanato e conseguirem sobreviver

Segundo a prefeitura, trata-se de um espaço de três mil metros quadrados, com Área de Preservação e Proteção (APP), escolhido após consulta junto ao Departamento de Patrimônio e aprovado pelo prefeito municipal, Tauillo Tezelli.

“Vamos preparar no local uma estrutura básica, com banheiros, água e espaço adequado para o preparo de refeições, e além disso vamos acompanhá-los, por meio de nossos programas sociais. Todo este processo está sendo acompanhado também pelo Ministério Público Federal”,

explicou a secretária da Assistência Social de Campo Mourão, Marcia Calderan de Moraes.

Transtornos e falta de higiene

Segundo a Compir, o texto do abaixo-assinado dos moradores acusa os indígenas de causarem “transtornos nos bairros”, de trazerem “questões de segurança pública”, falta de higiene, degradação do meio ambiente e, o mais desumanizador, gerar “desvalorização dos imóveis”.

“Repudiamos a desvalorização das condições de vida da população Kaingang da aldeia Ivaí, em Manoel Ribas, que periodicamente passa por Campo Mourão para vender seus artesanatos, ao serem comparados ao valor de especulação de imóveis e terrenos vazios”, lamentou o conselho municipal.

 A reportagem do portal RIC Mais não conseguiu acesso a algum responsável que pudesse comentar sobre o abaixo-assinado dos moradores, que são dos bairros Jardim Residencial Araucária, Jardim Botânico I e II, Jardim Gutierres, Jardim Casali e Jardim Laura, em Campo Mourão.

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