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Brasileiro reclama de mobilidade urbana, mas não abre mão de carro

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

25 de janeiro de 2017 - 00:00 - Atualizado em 25 de janeiro de 2017 - 00:00

Nuvem com as principais palavras detectadas no estudo (Agência nova/sb, Divulgação)

Sobram reclamações sobre acidentes, multas e congestionamentos, mas falta vontade de largar um pouco o carro

O brasileiro é muito bom de reclamação mas bem mais ou menos de autocrítica, revelou um estudo sobre mobilidade urbana feito por uma agência de São Paulo, a Nova/sb.

Com o projeto Comunica Que Muda, que analisou 398 mil menções sobre mobilidade em várias redes sociais, a agência descobriu que 43,7% delas falavam em priorizar o transporte individual, em muitos casos exaltando o conforto/qualidade do carro e rechaçando o transporte coletivo.

O grupo de pessoas que mencionaram de forma positiva o transporte coletivo e suas alternativas somou 29,5%, porcentagem parecida com a das menções neutras (quando não há expressão de opinião sobre o assunto), 26,8%.

“A diferença de 14 pontos percentuais entre os defensores do transporte individual e os advogados do coletivo/alternativo demonstra como o brasileiro tende a priorizar o transporte individual ao coletivo”, dizem os coordenadores do estudo, acrescentando: “São muitas reclamações do cidadão conectado, mas aparentemente pouca disposição de mudança”.

Busões lotados

O desejo do brasileiro de adquirir um veículo ficou no topo dos assuntos mais falados, com 58,9% das menções. Ao mesmo tempo, quando o assunto é transporte individual, o tema “acidentes” somou 60% de menções, “congestionamento”, 14%, e a chamada “indústria da multa”, 9%.

Ou seja, o trânsito parou e a chance de sofrer acidentes ou perder uma boa grana pagando multas é grande, mas pouca gente parece a fim de andar de ônibus. 

Claro que a má qualidade do transporte público influi nisso. Tem muita gente entojada que só se imagina se locomovendo sozinha dentro de um carro, mas tem também o desânimo provocado pela qualidade dos busões – a lotação deles, por exemplo, foi mencionada por 58% dos internautas analisados.

Bicicleta, a querida das redes

De positivo, o estudo diz que a soma de menções a carros elétricos, 2,5%, é uma boa surpresa no contexto brasileiro. Além disso, a bicicleta é a “queridinha das redes”, com 83% de sentimento positivo.

“É fato que ainda há muito a avançar na mobilidade urbana. E para além das responsabilidades do poder público, desenvolvemos esse dossiê para entender como as pessoas encaram o problema e também para contribuir com a discussão sobre o assunto”, afirma Bob Vieira da Costa, sócio-presidente da nova/sb, e conclui: “Os números confirmam como a individualidade do transporte é ponto pacífico não só na cabeça do brasileiro, mas também em suas redes sociais”. 

A pesquisa usou a plataforma de monitoramento Torabit e avaliou, de agosto a outubro, postagens no Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, Google+ e Medium, além de blogs e comentários de sites sobre os temas relacionados a transporte público, problemas estruturais, cultura do transporte individual, bicicletas e ciclovias, pedestres, entre outros.

Conheça melhor o projeto Comunica Que Muda.

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