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Mulheres ficam presas em ‘areia movediça’ na praia central de Camboriú

O local onde ocorreu o incidente faz parte do polêmico alargamento de praia na cidade; o guarda-vidas precisou usar uma corda para retirá-las

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais
Mulheres ficam presas em ‘areia movediça’ na praia central de Camboriú
Foto: Reprodução/ND

27 de outubro de 2021 - 18:17 - Atualizado em 27 de outubro de 2021 - 18:32

Duas mulheres ficaram atoladas na areia que está sendo dragada na praia Central de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, na terça-feira (27). Elas precisaram ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. (Veja galeria de fotos abaixo)

Câmeras de monitoramento da região registraram o incidente. Nas imagens, é possível ver quando um guarda-vidas se aproxima com um quadrículo para realização o socorro. Enquanto uma delas está caída e com o corpo quase submerso, a outra tem apenas as pernas afundadas na areia. O bombeiro precisou usar uma corda para retirá-las do local e, ao final do resgate, percebeu que o veículo também havia ficado preso

Em entrevista ao ND+, a secretária executiva, Rosa de Fátima Viegas, de 59 anos, contou que estava indo embora da praia quando ouviu um pedido de socorro e percebeu que a mulher estava com a cabeça quase coberta pela areia. Na tentativa de ajudar, ela se aproximou para acalmar a desconhecida e também ficou presa

“Parecia que eu estava cimentada na areia, eu não conseguia mexer”,

contou ao site.

Após o episódio, em nota, a Prefeitura de Balneário Camboriú informou que o trecho da praia central onde as mulheres ficaram atoladas não está liberado para o público. A obra está prevista para ser finalizada em novembro de 2021. 

“Episódios de atolamento na areia podem ocorrer a quem invadir o canteiro de obras pelo fato da estabilização do solo ainda estar sendo feita nesse trecho interditado, demarcado e sinalizado”, diz parte do comunicado. 

Aumento de tubarões

Desde agosto, quando iniciaram as obras de alargamento da faixa de areia, pelo menos 28 tubarões foram avistados em Balneário Camboriú. As aparições que não eram frequentes logo chamaram a atenção de moradores e pesquisadores da região. 

De acordo com o biólogo marinho André Neto, do Oceanic Aquarium, a interferência humana no local pode estar ligada aos aparecimentos. 

A obra mudou a paisagem de Balneário Camboriú.(Foto: Ivan Rupp/Scom BC)

“Com a dragagem de areia do fundo oceânico, há o afloramento e exposição de espécies que vivem no fundo mar, ativando ainda mais o processo da cadeia alimentar. Seres marinhos como crustáceos, moluscos e pequenos peixes se tornam presas fáceis para peixes maiores e, estes peixes maiores atraem outros ainda maiores que é o caso dos tubarões. Portanto, apesar do incentivo causado pela dragagem da areia, o processo de cadeia alimentar é natural”, disse ao ND+. 

No entanto, o especialista, com mais de 20 anos de experiência, ressalta que as espécies de tubarão que vivem no litoral sul do país não costumam atacar humanos e a chance de ocorrer algum acidente grave é praticamente zero.