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Em mensagem, loja pede que mulheres façam entrevista de emprego “com vestido bem curto e decote grande”

Ainda, a loja pediu para ver fotos da jovem no Instagram e, caso não tivesse imagens de corpo e rosto, que ela enviasse junto com o currículo para avaliação

Daniela
Daniela Borsuk com informações do jornal Metrópoles
Em mensagem, loja pede que mulheres façam entrevista de emprego “com vestido bem curto e decote grande”
(Foto: Ilustração/ Pixabay)

22 de agosto de 2021 - 11:00 - Atualizado em 22 de agosto de 2021 - 11:04

Uma jovem, de 22 anos, fez um relato na internet após ser orientada a usar um “vestido bem curto e com decote grande” para conseguir uma vaga de emprego anunciada. O contratante afirmou que estava procurando por uma secretária para uma loja de produtos para computador, mas que precisava de alguém que fosse atraente e não se importasse em usar vestido decotado, pois a maioria dos clientes era homem. Ainda, pediu para ver fotos da jovem no Instagram e, caso não tivesse imagens de corpo e rosto, que ela enviasse junto com o currículo para avaliação.

O estabelecimento fica localizado na Feira dos Importados, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) de Brasília, no Distrito Federal. A vítima do assédio contou que está desempregada, tem dois filhos e achou o anúncio da vaga em um site. “Falava que seria para secretária, com salário de R$ 1,5 mil, mas não tinha especificação nenhuma”, relatou.

A jovem salvou o contato e mandou uma mensagem informando que encaminharia o currículo. Com experiência em faxina, atendente de padaria e vendedora, a mulher considerava se encaixar na descrição do cargo.

“Foi aí que me responderam já com um texto enorme falando que precisavam de uma mulher atraente. Pediram nome, Instagram pessoal, foto do corpo e do rosto”.

destacou a jovem.

Revoltada com a situação, ela decidiu continuar a conversa apenas para ver o que mais seria dito. “Perguntei se o vestido seria pela empresa e disseram que sim, mas que se eu pudesse já usar um no dia da entrevista, seria melhor”, relembra.

A reportagem do jornal Metrópoles visitou o estabelecimento na tarde de sexta-feira (20), mas o local estava fechado. Como a jovem salvou o contato com o nome da empresa, não foi possível identificar se o assédio partiu dos donos ou de algum funcionário.

O que diz a loja

Procurada pelo Metrópoles, a loja informou que “o celular da loja havia sido furtado e alguém ficou fazendo graça com os clientes e com pessoas inocentes”. De acordo com a empresa, só foi possível recuperar o número na sexta-feira (20) pela manhã.

Segundo informado, o local não busca novos funcionários e ainda teriam ocorrido problemas como golpes e pedidos de dinheiro. “Prejuízo de mais de R$ 5 mil até agora, fora o nome da loja que está sendo queimado por conta de um infeliz”. O estabelecimento disse, ainda, ter registrado um boletim de ocorrência na Polícia Civil do DF (PCDF). Embora a reportagem tenha pedido uma cópia do BO, o responsável pelo contato informou que “não conseguiu localizar”.