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Denúncias de assédio sexual e racismo no McDonald’s do Brasil são alvos de inquérito

O Ministério Público do Trabalho em São Paulo e Curitiba são alertados desde 2019 sobre a conduta da empresa em relação aos funcionários

Aline
Aline Taveira / Produtora
Denúncias de assédio sexual e racismo no McDonald’s do Brasil são alvos de inquérito
(Foto: Reuters)

6 de julho de 2021 - 14:19 - Atualizado em 6 de julho de 2021 - 14:19

O Ministério Público do Trabalho (MPT) determinou a abertura de inquérito civil para apurar denúncias de assédio sexual, assédio moral e racismo de trabalhadores contra o McDonald’s do Brasil. No despacho, a procuradora Elisa Maria Brant de Carvalho Malta, da Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região, em São Paulo, aponta a requisição de documentos e informações, depoimentos, certidões, perícias e demais diligências para análise. A denúncia contra a empresa foi apresentada pela União Geral dos Trabalhadores (UGT).

“Agora o McDonald’s passou a ser investigado, uma vez que o inquérito civil pode quebrar sigilos, oferecer medidas para deferimento de informações sobre a empresa junto a juízes, determinar atos de prevenção de assédio, entre outras medidas. É uma situação muito grave para empresa, que pode abrir espaço até para a criação de uma força-tarefa para integrar esse inquérito e buscar casos do gênero em todos as unidades da federação”, explica o advogado Alessandro Vietri, um dos autores da denúncia encaminhada ao Ministério Público do Trabalho.

Segundo Vietri, os casos de assédio e racismo nas unidades da rede de fast-food, que no Brasil são controladas pela empresa Arcos Dourados, já somam mais de 130 ocorrências. Desde 2019, o Ministério Público do Trabalho em São Paulo e Curitiba vem sendo alertados sobre a conduta da empresa em relação aos funcionários.

Neste ano, foram realizadas audiências entre o órgão em São Paulo e os representantes legais da Arco Dourados, que culminaram agora com a abertura do inquérito civil. Após uma destas audiências, a procuradora alertou a empresa sobre a falta de colaboração para a apuração das denúncias. Segundo o despacho, o McDonald’s “adotou como estratégia de defesa se esquivar da juntada de documentos comprobatórios”.

Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, as denúncias indicam que há um padrão de condutas de assédio sexual, moral e de racismo dentro do McDonald’s, que se estende a várias unidades da rede no país.

“O que estamos testemunhando é um caso absurdo de desrespeito a direitos trabalhistas, que vem sendo corriqueiramente adotados pelo McDonald’s contra seus trabalhadores, em sua maioria jovens que têm o primeiro emprego da vida nas unidades da rede”, observa Patah.

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